A discussão do financiamento público de campanha remete ao escândalo do mensalão, maior crise política do primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O esquema, que envolvia uma suposta compra de deputados da base aliada por parte do Governo Federal, foi denunciado em 2005 pelo então deputado federal Roberto Jefferson, que desde aquela época ocupa a presidência nacional do PTB.
Um ano antes, o dirigente havia arquitetado a aliança do seu partido com o PT nas eleições municipais. Em troca, os petebistas receberiam ajuda financeira dos petistas. Jefferson admitiu na ocasião ter recebido uma quantia de US$ 4 milhões, que não foi declarada à Justiça Eleitoral, o que caracterizaria crime eleitoral para as duas legendas. Na opinião do ex-deputado, financiamento público é um retrocesso.
Por conta da visibilidade do caso, ganharam destaque as críticas de Jefferson quanto à questão do financiamento de campanha e das prestações de contas. Em entrevista na época, ele assumiu que não declarou todos os gastos de sua própria campanha em 2002, quando conquistou o sexto mandato consecutivo à Câmara Federal. “Declarei R$ 150 mil. Menti. Mas por quê? Os empresários não querem contribuir por dentro. Eles temem que, na primeira crise que surgir, o nome deles vai para a televisão ou para o jornal. Devemos fazer um mecanismo de proteção à doação. Mas o vício está na origem do processo eleitoral”, afirmou na ocasião.
Nesta semana, Roberto Jefferson comentou, em seu blog, a aprovação do financiamento exclusivamente público na Comissão do Senado. O petebista fez questão de lembrar que quem comandou a votação foi o PT. “A meu ver, financiamento público é um retrocesso, e conduz a legislação política e eleitoral ao pior dos mundos. Financiamento público tira dinheiro da educação, da saúde, da segurança pública, e não acaba com a prática do caixa dois.
O Congresso deve discutir com mais profundidade este tema quando a reforma chegar ao Plenário, sob risco de criar uma duplicidade de fonte de recursos para as campanhas eleitorais - a pública, e a privada”, argumenta Jefferson, que teve seu mandato cassado em setembro de 2005. Ele ainda perdeu seus direitos por oito anos, a partir do final daquela legislatura. FP,10/04/11.
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