Na arena Recife: vitimização estimulada


De Marisa Gibson  hoje na coluna DIARIO POLÍTICO
Símbolos e cores - A um mês das eleições, o deputado federal João Paulo (PT), principal adversário do prefeito do Recife, Geraldo Julio (PSB), que concorre à reeleição, tem um ingrediente a mais para sua campanha de rua: os protestos contra o impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), uma vitimização que rende dividendos eleitorais e que, portanto, deve ser estimulada.
Nesse ponto, o candidato petista teve sorte: o seu maior aliado, o senador Armando Monteiro Neto (PTB), ainda que represente setores mais conservadores, é ex-ministro de Dilma e manteve-se fiel à ex-presidente em todo o processo do afastamento. Mesmo assim,  é para o eleitor desse segmento que se distancia da militância petista, que João Paulo aparece com frequência de camisa branca, e não vermelha, na propaganda eleitoral. Para se chegar ao poder é preciso, sim, muito teatro.
Essa é  a essência do guia eleitoral. Geraldo, por exemplo, manteve ao seu lado o vice Luciano Siqueira (PCdoB), justo para se aproximar da esquerda recifense que gosta tanto de vermelho, tal como o comunista costuma aparecer em todos os eventos, inserções e propaganda da campanha socialista, ainda que provoque constrangimento nos demais aliados.
A propaganda do prefeito também exibe cenas com o ex-governador Eduardo Campos, cuja morte em 2014, provocou uma comoção que garantiu ao candidato socialista Paulo Câmara (PSB) uma expressiva vitória no primeiro turno.

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