quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Para Moro, Cunha mantinha poder mesmo sem mandato


O juiz federal Sergio Moro afirmou que, apesar de ter tido o mandato de deputado federal cassado, Eduardo Cunha (PMDB-RJ) mantinha poder suficiente para obstruir investigações e intimidar potenciais testemunhas. Esse foi um dos principais argumentos usados pelo magistrado para determinar a prisão preventiva do ex-deputado, ocorrida hoje, em Brasília.
"Embora a perda do mandato represente provavelmente uma perda de poder, esse não foi totalmente esvaziado, desconhecendo-se até o momento a total extensão das atividades criminais do ex-parlamentar e a sua rede de influência", escreveu Moro no despacho em que determinou a prisão preventiva do ex-deputado.
Para o magistrado que preside os processos da Operação Lava jato em primeira instância, o "ex-parlamentar é ainda tido por alguns como alguém que se vale, com frequência, de métodos de intimidação."
O pedido de prisão preventiva de Cunha foi protocolado na quinta-feira (13) pelos procuradores da Força-Tarefa do MPF (Ministério Público Federal) para a Operação Lava Jato.
A decretação da prisão foi feita na segunda-feira (17). O juiz afirma que existem "presentes indícios veementes" que Cunha, quando ainda era deputado federal teria utilizado terceiros na tentativa de intimidar testemunhas, advogados e autoridades responsáveis pela condução dos processos.
"Considerando o histórico de conduta e o modus operandi, remanescem riscos de que, em liberdade, possa o acusado Eduardo Cosentino da Cunha, diretamente ou por terceiros, praticar novos atos de obstrução da Justiça, colocando em risco à investigação, a instrução e a própria definição, através do devido processo, de suas eventuais responsabilidades criminais", disse Moro.

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