Ameaça americana: “Meu adversário é vosso inimigo”


Ricardo Kotscho
"Meu adversário é vosso inimigo" parece ser o lema comum da campanha americana.
Se os dois estiverem certos, nós estamos ferrados.
O que Hillary Clinton falou sobre Donald Trump nos últimos dias _ e vice- versa no mesmo tom _ representa, ao mesmo tempo, uma ameaça à segurança nacional americana e, mais do que isso, à paz mundial.
Os dois não inspiram a menor confiança a ninguém.
É o caso típico em que o eleitor vai ter que votar no "mal menor", que nós conhecemos tão bem.
Para mim, está muito claro que Hillary representa este mal menor.
Qualquer que seja o resultado, porém, é assustador constatar que metade da população americana apoia o desvairado Trump e concorda com suas propostas beligerantes, xenófobas e machistas.
E, segundo todas as pesquisas, a cada dia aumentam as chances do republicano vencer as eleições americanas.
Na média das pesquisas compiladas pelo site Real Clear Politics a diferença a favor de Hillary era de apenas 1,6 ponto na sexta-feira (chegou a 7,1 pontos há duas semanas).
A apenas 72 horas da grande decisão, o país mais rico e poderoso do mundo está dividido ao meio.
Além de tudo, tenho meus motivos particulares de preocupação.
Depois da Segunda Guerra Mundial minha família emigrou da Europa e se espalhou pelo mundo. Parte veio para o Brasil, outra foi para a Austrália e a terceira vive nos Estados Unidos.
Mais recentemente, dois filhos e sete netos de meu irmão Ronaldo, o popular Alemão, que nasceram aqui, também imigraram para os Estados Unidos e nem pensam em voltar um dia.
Logo deverá se juntar a eles o outro filho do meu único irmão, que também está pensando em ir embora.
Na antevéspera da eleição americana, o quadro está totalmente indefinido, cada vez mais preocupante.
"Mapa eleitoral está definitivamente  se movendo na direção de Trump", diz o "Washington Post".
"Entre militares, Trump é 1º e Hillary, 3ª _ Republicano tem 40,5% das intenções de voto nas Forças Armadas, quase o dobro de Hillary Clinton (20,6%)", informa a Folha.
Não é de se estranhar que pesquisa da Associação Americana de Psicologia tenha constatado que 52% da população está estressada com a indefinição da disputa entre o republicano e a democrata.
Quem vai conseguir os 270 votos necessários no colégio eleitoral que podem definir os rumos do nosso mundo nos próximos quatro anos?
Vida que segue.

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