Ministro, Freire diz que não se submeterá a pressões


Folha de S.Paulo - Ranier Bragon e Gustavo Uribe
Convidado por Michel Temer para a vaga de Marcelo Calero, no Ministério da Cultura, o deputado Roberto Freire (PPS) afirmou à Folha na manhã deste sábado (19) que não se sente constrangido em assumir o cargo em meio a uma polêmica, mas disse ter por princípio não se submeter a pressões e obedecer sempre as decisões dos órgãos técnicos.
"Não tenho constrangimento nenhum. Não vou assumir por pressão de quem quer que seja, e nem vou me submeter a pressão. Até porque não acho que seja muito a prática do Temer, não me parece que Temer use da política para fazer pressão", disse Freire.
O futuro ministro disse que tomou conhecimento pela Folha da afirmação de Calero de que o ministro Geddel Vieira Lima (Secretaria de Governo) pressionou o antigo titular da Cultura para que interferisse em um empreendimento imobiliário na Bahia em que tinha interesse pessoal.
Apesar de ressaltar não ter conhecimento do caso específico, Freire indicou a disposição de manter a decisão do antecessor.
"Vou saber o que está havendo, mas uma coisa é certa, ministro tem que pelo menos respeitar aquilo que é decisão dos órgãos competentes e tecnicamente capacitados para decidir. Isso é um princípio geral. Não sei o caso específico, mas vai ter que se aplicar esse princípio geral, de que temos que respeitar as decisões dos organismos técnicos e competentes."
Em entrevista à Folha, Calero disse ter sido procurado ao menos cinco vezes por Geddel - por telefone e pessoalmente - para que ele assegurasse que o Iphan, instituto ligado à pasta, desse um parecer liberando a obra em construção em Salvador, onde o ministro dizia ter um apartamento.
Freire afirmou que conversará com Temer sobre sua posse na segunda-feira (21).

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