O "capitão do time" abandonado na prisão em Curitiba


Carlos Brickmann
Este colunista conheceu o jornalista Perseu Abramo nas redações. Jornalista meticuloso, atento aos detalhes, estudioso (formou-se também em Sociologia, fez mestrado), dono de excelente memória e texto esmerado. Nos tempos pré-Google, era a ele que se recorria para refrescar a memória. Era também a ele que se dirigia quem tinha dúvidas sobre grafia correta ou questões de gramática. O jornalista Gilberto di Pierro, Giba Um, até hoje, vinte anos após a morte de Perseu Abramo, ainda se queixa da falta que lhe fazem a cultura, a memória, a boa educação e a paciência do amigo ao elaborar sua coluna diária (www.gibaum.com.br).
E quem é que o PT coloca como presidente do Conselho Curador de sua Fundação Perseu Abramo? Sim: Dilma Vana Rousseff. Voltando a nosso poeta, "O voz zelosa que dobrada... brada".
A posse como presidente da Fundação Perseu Abramo foi o último compromisso de Dilma Rousseff no país. Em seguida, iria para Cuba com o ex-presidente Lula, para prestar as últimas homenagens a Fidel Castro. As cinzas de Castro partem de Santiago de Cuba (onde está o túmulo de Che Guevara, seu companheiro de revolução) e farão um circuito pelo país.
É uma bonita atitude de Lula e Dilma: mesmo enfrentando problemas, não esqueceram do amigo. Mas outro amigo, que fisicamente esteve muito mais próximo de ambos, que enfrenta a pior fase de sua vida, não mereceu a honra de uma visita dos amigos: é José Dirceu, que Lula chamava de "capitão do time", que chamou Dilma de "companheira de armas". Dirceu está preso desde 3 de agosto de 2015, condenado a mais de 20 anos de prisão e com processos ainda correndo. Apesar da pena pesada, Dirceu lembrou dos amigos e se recusou a fazer a delação premiada. O comando do PT, Lula e Dilma incluídos, o deixou abandonado na prisão de Curitiba.

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