PSDB está sendo reduzido a pó pelas delações


Ricardo Noblat
Lula já era carta fora do baralho antes mesmo da lista do ministro Edson Fachin e da divulgação dos primeiros vídeos com depoimentos à Justiça dos delatores da Odebrecht.
Somente o PT, ameaçado de não disputar a eleição presidencial de 2018 com um candidato forte, ainda acalentava o sonho de poder contar com Lula.
O que ficou estupidamente claro em menos de 48 horas foi que a “delação do fim do mundo” reduziu a pó as chances dos naturais candidatos do PSDB de disputarem a sucessão de Temer.
Aécio Neves, José Serra e Geraldo Alckmin podem ser considerados também cartas fora do baralho. Não correm o risco de ser condenados ou presos antes de 2018. Lula corre, e o risco aumentou.
Mas o estrago provocado na imagem dos três até aqui está sendo devastador. O PSDB sempre poderá dizer que lhe resta pelo menos uma carta na manga da camisa – João Dória, prefeito de São Paulo.
Sim, mas Dória ainda terá que mostrar muito serviço antes de se credenciar a ser candidato a presidente. E se não mostrar? E se o serviço que mostrar não for suficiente? O futuro a Deus pertence.
Sabia-se que Aécio, Serra e Alckmin seriam alvos das delações. Mas o conteúdo delas já conhecido está sendo pior do que a encomenda. A saber, em resumo:
* Aécio recebeu 30 milhões de reais em propina em contas de amigos e empresas no exterior em contrapartida pela atuação dele em favor da Odebrecht na obra da Usina de Santo Antônio, em Rondônia. De acordo com o delator Henrique Valadares, o dinheiro foi depositado em contas de amigos, de pessoas indicadas por Aécio e em trusts. O pagamento foi combinado numa reunião entre Marcelo Odebrecht, Aécio e Valadares no início de 2008, no Palácio das Mangabeiras, sede do governo mineiro.
O nome de Serra foi mencionado por sete delatores da Odebrecht. A cada dois anos, no período de preparação eleitoral, ele procurava a empreiteira para pedir propina em valores sempre milionários. Foi assim em 2004 (R$ 2 milhões), 2006 (R$ 4 milhões), 2008 (R$ 3 milhões) e 2010 (R$ 23,3 milhões). Serra usou duas vezes as mesmas obras do Rodoanel para arrecadar dinheiro. Cobrou R$ 1,2 milhão de propina para Odebrecht ganhar a licitação. E depois fez uma renegociação que prejudicava o contribuinte e favorecia as empreiteiras.
 Um ex-executivo da Odebrecht disse em seu acordo de delação que Alckmin acertou pessoalmente o repasse de R$ 2 milhões via caixa dois da Odebrecht para sua campanha ao governo de São Paulo, em 2010. Carlos Armando Paschoal, que era à época diretor da Odebrecht em São Paulo, contou que Alckmin lhe deu o cartão de visitas de seu cunhado Adhemar Ribeiro, o responsável por receber o dinheiro. É a primeira vez que um delator envolve Alckmin diretamente em acerto de doação ilícita de dinheiro.
Naturalmente, Aécio, Serra e Alckmin negam tudo o que foi dito ou revelado até agora contra eles. Mas até seus aliados mais próximos, mediante o compromisso de não terem seus nomes publicados, reconhecem que eles perderam as condições de disputar o cargo mais alto da República. A não ser...
A não ser que delatores à caça de perdão ou de menos anos de cadeia tenham resolvido mentir.

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