Cândido, o indecente


Arquiteto da "emenda Lula", o deputado Vicente Cândido sugere fundo público de campanha de R$ 5,9 bilhões.
VEJA - Por Dora Kramer
O deputado Vicente Cândido (PT-SP) não faz jus ao sobrenome. De ingênuo só tem as asas que o levam a voar na criatividade malévola. É o relator da proposta de reforma política em tramitação na Câmara, cujo ponto central é a criação de um fundo público para financiamento de campanhas eleitorais a 0,5% da receita líquida da União. Coisa para R$5,9 bilhões, mantidas as previsões do ministério do Planejamento. Ao deputado _ note-se, com apoio da maioria dos líderes partidários _ não ocorre melhor ideia para reformar a política que não a de onerar o Orçamento pátrio. Assim: os partidos fazem besteira e o cidadão paga a conta.
Pois o mesmo deputado teve outra ideia: sugerir uma emenda constitucional proibindo a prisão de candidatos a eleições nos oito meses antecedentes ao pleito. Hoje essa proibição, excetuado o crime em flagrante, limita-se a 15 dias. A proposta tem intenção assumida pelo autor: impedir que políticos sejam presos ao longo da campanha, dentro os quais o seu chefe partidário, Luiz Inácio da Silva. Em princípio, seus colegas reagiram contra. Afinal, o tema posto assim com essa explicitação de defesa com endereço certo e por todos sabido, não cabe ao figurino oficial de defesa das investigações doa em quem doer.
Mas, nunca se sabe. Quando se tem alguém para assumir a defesa do indefensável, tudo é possível. Aprovada proposta de emenda constitucional, vários seriam os beneficiários. Inclusive os chamados criminosos comuns que poderiam se registrar como candidatos para conquistar imunidade. Uma espécie de foro privilegiado por via torta.

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