Roberto Campos Marinho
O
ser humano pode passar pela vida basicamente de duas maneiras: aceitar
as coisas passivamente, sem correr riscos, ou se rebelar contra o senso
comum, ir à luta e assumir os erros cometidos por ter a coragem de
ousar. É nesta segunda categoria que se encaixa Jarbas Vasconcelos, que
está completando 70 anos de idade.
O menino que
nasceu na Zona da Mata Norte de Pernambuco, em agosto de 1942, se
transformou numa das principais referências éticas da política
brasileira.
Muito jovem,
recém-formado em Direito, Jarbas iniciou sua carreira profissional no
Grupo Votorantim, no final dos anos de 1960. Mas o aprofundamento do
regime militar (implantado em 1964) levou Jarbas à luta política contra o
autoritarismo e ele trocou a iniciativa privada pela causa pública.
Começava ali uma trajetória que orgulharia os
pernambucanos.
Duas vezes
prefeito da Cidade do Recife e duas vezes governador de Pernambuco,
Jarbas Vasconcelos é um homem sem medo de dar murro em ponta de faca.
Nunca fugiu à luta, mesmo quando as batalhas se mostravam abarrotadas de
obstáculos instransponíveis. Foi um dos primeiros parlamentares da
oposição, no início da década de 1970, a denunciar publicamente as
prisões, as torturas e os assassinatos cometidos pela ditadura militar.
Muitas vezes, no entanto, essa coerência e essa coragem foram mal
compreendidas.
Em 1985, meses
após percorrer todo o Brasil em defesa das “Diretas Já” para presidente
da República, Jarbas Vasconcelos anunciou que não iria ao Colégio
Eleitoral, mesmo que fosse para eleger Tancredo Neves. E manteve a
palavra. Essa posição quase custa sua primeira vitória numa eleição
majoritária, a histórica conquista do mandato de prefeito do Recife,
também em 1985. Tempos depois, o próprio Jarbas admitiu que errou no
episódio do Colégio Eleitoral. Em suas próprias palavras: “Não era
possível que eu estivesse certo e todo mundo estivesse errado”. Quantos
políticos fariam esse gesto? Poucos, com certeza.
Jarbas Vasconcelos
também deixou a sua marca como um grande gestor público, que soube
montar equipes altamente eficientes. Suas marcas e exemplos de sucesso e
ousadia se espalham pela história recente pernambucana.
Nunca é demais
lembrar que as administrações de Jarbas implantaram a participação
popular no orçamento público (Prefeitura nos Bairros e Governo nos
Municípios), colocaram a nossa economia na vanguarda da tecnologia da
informação (Porto Digital) e fizeram das obras de infraestrutura
(estradas, aeroportos, portos, abastecimento d’água e energia) uma
alavanca indispensável para o desenvolvimento em todas as regiões do
Estado.
E não posso deixar
de falar da implantação do ensino em tempo integral nas escolas da rede
pública estadual e na decisão de colocar o Porto de Suape como nosso
grande diferencial na atração de investimentos públicos e privados.
Alguns podem achar
Jarbas não adepto do riso fácil, que ele é carrancudo, sério demais.
Mas aqueles que – como eu – conhecem o homem por trás do mito sabem que
esse jeito sério tem muito de mera timidez. Quando ele se solta nas
conversas, começa a contar suas histórias, o sorriso cresce e o homem
sisudo se transforma. Quem já viu e ouviu, pela boca de Jarbas, as
histórias das eleições na Zona da Mata Norte, nas décadas de 1950, 1960 e
1970, entende bem do que estou falando.
Jarbas Vasconcelos
merece todas as homenagens não apenas por suas contribuições ao Brasil e
a Pernambuco como parlamentar atuante e como governante de vanguarda,
mas também por ser um homem de amigos, daquele tipo que nunca falta nas
horas mais necessárias.
Como registra aquele jingle histórico: “Jarbas é a cara do povo/ É a gente de novo".
Roberto Campos Marinho é administrador
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