domingo, 30 de julho de 2017

Ações na justiça ameaçam reeleição de Pimentel


 Minas Gerais
Folha de S. Paulo Carolina Linhares

Assim como o ex-presidente Lula (PT), o governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), aposta que ações na Justiça não o impedirão de subir ao palanque no ano que vem para buscar a reeleição.
O governador tem a vantagem, ao contrário de Lula, de não ter sido condenado. Ele foi alvo de duas denúncias, em maio e novembro de 2016, oferecidas pela Procuradoria-Geral da República no âmbito da Operação Acrônimo.
Em maio passado, o STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu que o STJ (Superior Tribunal de Justiça), responsável por julgar governadores, não precisa de autorização dos deputados estaduais para aceitar denúncias. A Corte Especial do STJ, composta por 15 ministros, ainda não decidiu se o petista deve virar réu.
Ele é acusado de corrupção passiva e lavagem de dinheiro por ter beneficiado a montadora Caoa e a Odebrecht quando era do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior em troca de propina.
Pimentel também é investigado em inquéritos na Acrônimo e foi citado em delações. A colaboração da Odebrecht originou pedidos de abertura de inquéritos contra governadores que ainda serão analisados pelo STJ.
O deputado estadual Durval Ângelo (PT), líder do governo na Assembleia, afirma que "os processos da Acrônimo são frágeis" e lembra que o STJ já arquivou, no mês passado, uma ação contra Pimentel que o acusava de comprar câmeras de monitoramento sem licitação quando foi prefeito de Belo Horizonte.
O advogado do governador mineiro, Eugenio Pacelli, afirma que a Operação Acrônimo tem "irregularidades insuperáveis" como "apreensão de documentos e bens sem ordem judicial".
Sobre a possibilidade de afastamento do governador caso as denúncias sejam recebidas, Pacelli acredita ser difícil. Para ele, a decisão do STF, ao derrubar a necessidade de aprovação da Assembleia, também inviabilizou o afastamento automático de Pimentel ao virar réu.
Há quem entenda, porém, que pode haver afastamento devido ao recebimento da denúncia. O STJ, na verdade, pode determinar que Pimentel deixe o cargo a qualquer momento se entender que o governador está atrapalhando a investigação.
Caso seja condenado antes de agosto de 2018, Pimentel será impedido de concorrer pela Lei da Ficha Limpa. O trâmite no STJ tende a ser mais lento que isso.
Outra possibilidade é que o governador seja condenado no exercício do cargo, o que o afastaria do mandato, já que a pena impõe perda dos direitos políticos.
CRISE
Aliados de Pimentel afirmam que o petista tem grandes chances. Uma pesquisa do instituto Paraná realizada em Belo Horizonte neste mês põe o governador atrás apenas do prefeito Alexandre Kalil (PHS), que descarta concorrer.
Para além do cenário jurídico, a reeleição de Pimentel depende de que o governador se descole da crise financeira que atinge o Estado ou dê sinais de que irá superá-la. Os salários são pagos de forma parcelada em Minas desde fevereiro de 2016.
A avaliação é que fica difícil alcançar a expectativa do eleitorado num governo de emergência. Aliados apostam, porém, em uma perspectiva de melhora já para 2018 e, sobretudo, num próximo mandato.
Pimentel tem a seu favor a falta de adversários definidos e o baque sofrido pelo principal adversário, o PSDB, com a implicação do senador Aécio Neves (PSDB-MG) na delação da JBS. Os tucanos não têm um candidato em Minas.
Assim como Pimentel, já percorrem o Estado em pré-campanha o ex-prefeito de BH Marcio Lacerda (PSB) e o ex-deputado estadual Dinis Pinheiro (PP). O nome do prefeito de Betim, Vittorio Medioli (PHS), também é cotado. 

sexta-feira, 28 de julho de 2017

LEMBRANÇAS...

ADRIANA DE JAMILTON - SOCORRO - BENONE LEÃO 

Aniversário dos 40 anos do Hospital Municipal de São José do Egito-PE. (U.M.M. R.S.) 

ANO: 2001
Foto do arquivo pessoal de BENONE LEÃO

Por Gilerto Lopes

O ministro Bruno Araújo não quer nem ouvir falar em aliança com o PSB nas eleições de 2018

Coluna Fogo Cruzado

O governador Geraldo Alckmin saiu do jantar com os principais líderes no PSB, anteontem à noite, no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, com uma certeza na cabeça. O partido pode até apoiá-lo para presidente da República, mas exigirá o apoio do PSDB a dois dos seus candidatos a governos estaduais: Márcio França (SP) e Paulo Câmara (PE). França é o atual vice-governador e deverá assumir o governo paulistano em abril do próximo ano quando o governador desincompatibilizar-se para se candidatar à sucessão de Temer. Só que o PSDB estadual não deseja apoiá-lo à reeleição porque pretende manter o Palácio dos Bandeirantes sob controle dos tucanos e a bola da vez parece ser o prefeito João Doria, ora em ascensão nas pesquisas eleitorais. Quanto a Paulo Câmara, vai disputar a reeleição em 2018 e gostaria de contar novamente com apoio do PSDB, mesmo tendo excluído esse partido do seu governo em abril do ano passado. O ministro Bruno Araújo não quer nem ouvir falar nesta aliança. Mas em nome do projeto nacional do partido, talvez seja obrigado a aceitar este entendimento.

Ministro responde ao MPF: o dono da caneta é Temer


O Globo
O ministro da Justiça, Torquato Jardim, reagiu às críticas da força-tarefa do Ministério Público Federal (MPF) da Lava-Jato em Curitiba e afirmou que, hoje, as investigações no Paraná já são menores do que as tocadas em Brasília e que caminham para serem menores do que as existentes em São Paulo. O procurador da República Athayde Ribeiro Costa, ao detalhar a 42ª fase da Lava-Jato em Curitiba, que resultou na prisão do ex-presidente da Petrobras Aldemir Bendine, criticou diretamente Torquato, ao dizer que o ministro não procurou a Polícia Federal (PF) para saber se o efetivo existente é suficiente.
– Vejo a crítica como infundada. Basta olhar o meu passado profissional, antes de chegar aos dois ministérios (Transparência e Justiça) e não se encontrará nenhum gesto de crítica e desapreço à Lava-Jato. Quanto a não ter feito uma visita social, não constava no protocolo do ministério que eu devesse fazer uma visita oficial à Lava-Jato. Se ele (o procurador) acha isso necessário, vamos combinar um café – disse Torquato em entrevista coletiva à imprensa na tarde desta quinta-feira.
A PF deixou de contar com um grupo próprio para cuidar da Lava-Jato em Curitiba. Segundo o ministro, o que ocorreu foi uma “reestruturação administrativa interna” da própria polícia.
– A Lava-Jato acontece hoje em 16 capitais federais. Hoje a operação é maior em Brasília do que em Curitiba. São Paulo também está ficando maior que Curitiba. O que houve foi uma redistribuição operacional, que não implica diminuição de capacidade investigativa – afirmou.
Torquato reconheceu que os cortes no orçamento da PF resultam em menos ações da polícia e que todas as operações necessárias não serão feitas em razão da falta de dinheiro:
– Não há corte, há contingenciamento, que é gastar quando se tem dinheiro. Estamos repondo na medida do possível. O contingenciamento da PF foi de R$ 400 milhões, mas R$ 170 milhões já foram repostos e estão previstos R$ 70 milhões mês a mês. Isso poderá implicar em um processo seletivo de ações, em não se realizar todas as operações necessárias, na extensão total. Este juízo compete ao próprio departamento.
O ministro voltou a deixar em aberto a permanência de Leandro Daiello como diretor-geral da PF:
– Sempre falei com a mais absoluta clareza: Daiello e eu estamos trabalhando para uma nova PF, um novo sistema institucional. Irrelevante quem vai continuar, se ele lá ou eu aqui, ou se saem os dois ou se ficam os dois. Não há compromisso pessoal. Nunca houve prazo para ele sair. O “deadline” é do dono da caneta, e o dono da caneta se chama Michel Temer.

Abuso de autoridade: Janot contra suspender projetos


Manifestação ao Supremo foi feita no âmbito de mandado de segurança impetrado por deputado que alegava 'vício de inconstitucionalidade' nas propostas. Janot contra suspender projetos de abuso de autoridade.
O Estado de S. Paulo – Rafael Moraes Moura

Em manifestação encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF), o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, se posicionou contrário à suspensão da tramitação de dois projetos que tratam da lei de abuso da autoridade.
A manifestação de Janot, assinada na segunda-feira, 24, foi feita no âmbito de um mandado de segurança impetrado pelo deputado federal Fernando Francischini (Solidariedade-PR), que alegava que as propostas apresentam “vício de inconstitucionalidade”.
“O impetrante não menciona irregularidades no processo legislativo dos PLSs 280/2016 e 85/2017. Não indica eventual descumprimento de normas regimentais ou faz qualquer alusão a falhas no trâmite interno das proposições no Senado Federal”, escreveu Janot.
Parte inferior do formulário
“Limita-se a impugnar o conteúdo das proposições, que estariam a contrariar a independência da magistratura e do Ministério Público, e a arguir vício de inconstitucionalidade formal, sob alegação de que a matéria exigiria disciplina por lei complementar”, observou o procurador-geral da República.
Mesmo assim, Janot ressaltou que “a lei porventura promulgada a partir da votação dos PLS 280/2016 e PLS 85/2017 poderá ser objeto de impugnação pela via do controle abstrato de constitucionalidade”.
Em abril, o ministro Luís Roberto Barroso, do STF, negou o pedido de liminar do deputado federal Fernando Francischini, que buscava suspender a tramitação dos projetos de lei sobre crimes de abuso de autoridade.
Na época, Barroso alegou que o STF só deveria intervir em procedimentos legislativos para assegurar o cumprimento da Constituição, proteger direitos fundamentais e resguardar pressupostos de funcionamento da democracia.

Prisão de publicitário assusta políticos do PT e do PMDB


André Gustavo Vieira da Silva é acusado de intermediar repasse de propina ao ex-presidente do BB e da Petrobras Aldemir Bendine
Época – Coluna Expresso – Murilo Ramos
A prisão do publicitário André Gustavo Vieira da Silva, alvo da Operação Cobra, 42ª fase da Lava Jato deflagrada pela Polícia Federal, assusta políticos do PT e do PMDB.
Vieira da Silva é compadre do ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares, enrolado no mensalão e no petrolão.
O publicitário ganhou projeção e contratos durante o mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Vieira da Silva mantém ligações também com caciques do PMDB.

Enquanto Bendine é preso, Marchiori ostenta em Angra


Val Marchiori em Angra dos Reis (Foto: Reprodução)
Val Marchiori(direita) em Angra dos Reis
Ex-presidente do Banco do Brasil, preso na Lava Jato, foi acusado de ter favorecido socialite com empréstimo
Epoca – Coluna Expresso – Murilo Ramos
Tão logo o ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil foi preso nesta quinta-feira (27) pela Lava Jato, a socialite Val Marchiori tratou de publicar uma nota para negar ter sido favorecida por ele com empréstimos milionários com condições para lá de camaradas.
O assunto, revelado anos atrás, voltou à tona com a prisão de Bendine, que chegou a Curitiba no começo da tarde.
No fim da manhã, Marchiori parecia ter superado completamente o tema.
Postou numa rede social foto em que aparece num passeio de barco por Angra dos Reis. Ela disse: “#sol #mar #angrabeach #family #amigos obrigada Deus”.

Contrato com sobrinho de Lula para agradar petista


Delação 
Contratação em Angola de empresa de Taiguara Rodrigues foi feita após pedido do ex-presidente, dizem delatores da Odebrecht
O Estado de S. Paulo - Fabio Serapião e Fábio Fabrini,

Delatores da Odebrecht relataram à Procuradoria-Geral da República que a contratação e os pagamentos feitos em Angola ao empresário Taiguara Rodrigues, sobrinho da primeira mulher do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, foram para “agradar” ao petista. O Estado teve acesso aos depoimentos e aos anexos de três executivos, ainda mantidos em sigilo, que citam a participação do ex-presidente no caso investigado na Operação Janus.
Lula e Taiguara são réus por lavagem de dinheiro e tráfico de influência em processo originado na investigação da Janus.
A filial da Odebrecht em Angola contratou a Exergia, da qual o empresário se tornou sócio. O ex-diretor de Relações Institucionais da empreiteira Alexandrino Alencar afirmou que o ex-presidente pediu a contratação da empresa. Ernesto Sá Baiardi, ex-diretor da construtora em Angola, relatou solicitação do petista para que a construtora ajudasse o empresário. Antonio Carlos Daiha Blando, sucessor de Baiardi, disse ter adiantado pagamentos à Exergia para “agradar” a Lula.
Baiardi foi o diretor da Odebrecht responsável pelo mercado de Angola até 2013. Ele afirmou que foi procurado pela primeira vez por Taiguara em 2011. O primeiro contato não foi respondido e, por causa disso, Alexandrino teria ligado para pedir que o empresário fosse recebido. “Entendi que essa solicitação era de interesse da companhia para atender a pedido de Lula e, imediatamente, chamei Taiguara para uma reunião”, relatou o executivo no anexo.
A intervenção direta de Lula teria ocorrido no mesmo ano, quando o ex-presidente visitou Angola e participou de um café da manhã com Emílio Odebrecht, no qual estava presente Taiguara. Baiardi disse em depoimento que, após o café, o petista o chamou de lado e falou que Taiguara era honesto, trabalhador, que estava iniciando carreira empresarial e que, se possível, era para ajudá-lo.
Blando disse que, após assumir a diretoria em Angola, Baiardi lhe pediu que recebesse Taiguara. O delator relatou que recebeu o empresário quando chegou ao país africano e que a “atenção diferenciada” com que tratou “os assuntos da Exergia tinha por finalidade agradar ao ex-presidente Lula”.
Adiantamento’. Ainda segundo Blando, em 2014, Taiguara pediu “adiantamento contratual” a que sua empresa “não tinha direito”, mas, mesmo assim, os repasses foram realizados em duas parcelas. Uma de US$ 500 mil e outra de US$ 200 mil. O delator declarou que a “necessidade” de “agradar a Lula” resultou em ordem aos diretores da filial angolana para adiantar o pagamento.
Segundo Alexandrino, apontado como um dos executivos mais próximos ao ex-presidente, Lula apresentou seu sobrinho em um café da manhã no hotel HCTA, em Luanda, capital de Angola. O ex-executivo disse ainda que o petista teria pedido que a Odebrecht avaliasse a possibilidade de contratar as empresas de Taiguara. A solicitação teria sido levada ao patriarca do grupo, Emílio Odebrecht, que, segundo ele, “concordou prontamente”.
Janus. O juiz Vallisney de Souza Oliveira aceitou em outubro de 2016 a denúncia criminal do Ministério Público Federal em Brasília contra o ex-presidente e Taiguara no caso. A acusação tem origem na Operação Janus, que chegou a levar Taiguara coercitivamente para depor.
A acusação afirma que a Exergia não prestou os serviços para os quais foi contratada. O trabalho teria sido executado pela própria Odebrecht em retribuição ao fato de ter sido contratada pelo governo angolano com base em financiamento para exportação de serviços, concedido pelo BNDES. A acusação feita pelo MPF é de que Lula recebeu propina nesse caso por meio de terceiros.
Procurada desde quarta-feira, 26, a defesa de Lula não respondeu ao Estado. À época da Operação Janus, o petista afirmou que já esclareceu os fatos sobre Taiguara. Ainda conforme a defesa, Lula “nunca fez lobby”, “nunca apresentou Taiguara a nenhum dono de empresa” e, quando Lula foi fazer palestra em Angola, “Taiguara já estava naquele país trabalhando com empresa portuguesa”.
A reportagem não conseguiu contato com o advogado Fabio Souza, que representa as empresas de Taiguara. Após a Janus, o advogado negou que a Exergia tenha sido usada para lavar dinheiro. Em depoimento à CPI do BNDES, o próprio Taiguara confirmou a contratação pela empreiteira e disse que os valores recebidos são referentes a serviços de sondagem, avaliação da topografia e gerenciamento de obras prestadas pela empresa. Segundo ele, todos os contratos foram obtidos por meio de licitações.

Na mira do Supremo

O senador Fernando Bezerra Coelho (PSB) voltou a ser alvo de pedido de investigação por parte do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. O procurador solicitou ao Supremo Tribunal Federal abertura de novo inquérito para investigar o parlamentar com base na delação da Odebrecht. No pedido, o procurador menciona suspeitas levantadas pelos delatores, que firmaram acordo de colaboração premiada com o Ministério Público Federal.  Segundo Janot, os dois delatores afirmaram que, durante a execução das obras do Cais V e do Píer Petroleiro no Porto de Suape, o senador e o então governador Eduardo Campos "foram beneficiados por propinas paga pelas empreiteiras Odebrecht, OAS e Andrade Gutierrez". 
Por Magno Martins

Imagem marcada pela corrupção

A baixa popularidade do Governo Temer está associada a vários fatores. O primeiro deles pode ser explicado à falta de legitimidade. Temer chegou ao poder por um processo traumático, consolidado pelo impeachment da ex-presidente Dilma, visto como um golpe, tese disseminada pelos aliados da petista que acabou sendo absorvida pela população.
Longe de representar um golpe. Dilma teve direito de defesa em todas as instâncias, mas a versão que ficou foi a de golpe. E isso será muito difícil, se não impossível, de ser desmistificado. O fosso do chamado governo ilegítimo se acentuou mais ainda por culpa do próprio Temer. Ao invés de construir um ministério de notáveis, lançou mão de políticos com ficha suja, envolvidos na Lava jato.
O que mais afundou a sua imagem, entretanto, foi a armação em que caiu, sem explicações, da gravação do dono do frigorífico JBS, Joesley Batista, com trechos em que estaria comprando o silêncio do ex-presidente da Câmara, Eduardo Cunha. Mais adiante, pipocou o episódio da mala dos R$ 500 mil, conduzida pelo ex-deputado Loures Rocha, da sua extrema confiança, como produto de uma propina.
Nenhum fato positivo do Governo, como a reação da economia, a retomada dos postos de trabalho, a queda da inflação e o crescimento do PIB, tem poder de fazer o contraponto aos fatos negativos envolvendo o presidente. Por mais que ele se esforce e por mais que a economia reaja, a população não se convence das boas marcas da gestão.
A pesquisa de ontem mostrou que seu Governo tem apenas 5% de aprovação. Nunca na história republicana se viu tamanho grau de impopularidade. Mas é a tal coisa: nenhum governante com a pecha da corrupção consegue ter cheiro de povo. O Brasil, felizmente, parece que começa a se vacinar contra a chaga da roubalheira.

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Publicitário preso seria elo de caixa 2 para FBC e Araújo


Folhapress
Preso hoje pela Operação Lava Jato junto com o ex-presidente do Banco do Brasil Aldemir Bendine, o publicitário André Gustavo Vieira da Silva aparece nas delações de executivos da JBS como um suposto elo para o pagamento de caixa dois a políticos do Pernambuco, incluindo um senador, um ministro e um governador de Estado.
Segundo o acordo de colaboração premiada fechada com a PGR (Procuradoria Geral da República) pelo diretor de relações institucionais da J&F, que controla a JBS, Ricardo Saud, durante a campanha eleitoral de 2014 a empresa fez pagamentos em esquema de caixa dois tanto para André Silva quanto para uma de suas empresas, a Arcos Propaganda.
O dinheiro, segundo Saud, teve como destino final os seguintes políticos: R$ 1 milhão para o senador Fernando Bezerra Coelho (PSB-PE), pago após a apresentação de uma nota fiscal da Arcos; R$ 2 milhões em espécie "entregues por André Gustavo" no Recife "para Fernando Bezerra"; R$ 1 milhão em espécie entregues pelo publicitário na mesma cidade para o atual governador de Pernambuco Paulo Câmara (PSB-PE); por fim, R$ 200 mil entregues por Silva para "Bruno Araújo [PSDB-PE]", então deputado federal e hoje ministro das Cidades.
O tucano Araújo ganhou projeção no ano passado por ter sido o autor do voto decisivo, em sessão da Câmara dos Deputados, que autorizou o afastamento da presidente Dilma Rousseff (PT) do seu cargo em processo de impeachment.
Em documento que entregou como parte do seu acordo de colaboração, Saud disse que seguia orientação do empresário da JBS Joesley Batista para "realizar doações a políticos e a partidos políticos", mas que o "método de pagamento era sempre determinado pelo político, podendo consistir em doação oficial, pagamento de notas fiscais avulsas ou a entrega de dinheiro em espécie".
Saud afirmou que foi procurado, nas eleições de 2014, por um suposto "interlocutor" do então governador do Pernambuco e candidato à Presidência da República Eduardo Campos (PSB-PE).
Identificado apenas como Henrique, esse homem teria tratado com Saud "os pagamentos que passariam a ser realizados, após autorizados" por Joesley.
Em agosto daquele ano, Campos morreu em acidente aéreo em Santos (SP).
Henrique teria então pedido a Saud que os pagamentos "não fossem interrompidos". O pedido foi reforçado depois, segundo Saud, durante uma reunião com Joesley e o então prefeito do Recife, Geraldo Julio, e o então candidato a governador Paulo Câmara.
Ao todo, o grupo da JBS pagou R$ 14,6 milhões para os políticos do PSB em doações oficiais, disse o delator.
O restante foi pago "por meio de notas fiscais avulsas", ou seja, empresas que emitiam notas em favor da JBS ou do grupo, como se tivessem prestado serviços ao grupo empresarial, mas que destinavam o dinheiro para campanhas eleitorais.
Em 2 de setembro de 2014, por exemplo, a Arcos Propaganda emitiu uma nota de R$ 1 milhão "apresentada por Fernando Bezerra".
A justificativa foi "planejamento, acompanhamento e curadoria" de um "evento "Brasil-China" ocorrido em Brasília em julho de 2014.
Levantamento feito pela reportagem da Folhapress no sistema da Justiça Eleitoral, contudo, não indicou nenhuma prestação de serviços da Arcos nas eleições de 2014.
Da mesma forma, na prestação de contas do deputado Bruno Araújo não consta doação de R$ 200 mil do grupo JBS.
Na prestação de contas de Fernando Bezerra, então candidato ao Senado, aparece uma doação oficial de R$ 1 milhão de uma empresa vinculada à JBS, a Eldorado Brasil Celulose, mas a delação de Saud diz que foram entregues R$ 3 milhões à mesma campanha.
OUTRO LADO
Ouvido pela Polícia Federal no ano passado, Antonio Silva Júnior declarou que não conhecia Casimiro e negou que R$ 3 milhões tenham sido entregues no apartamento em São Paulo. Disse que não tinha conhecimento de nenhum pagamento feito pela Odebrecht no endereço.
No seu depoimento, porém, o taxista Casimiro confirmou ter recebido os pacotes "para atender a pedidos do sr. Antonio", mas disse que não sabia que se tratava de dinheiro pois os envelopes estavam lacrados. Também confirmou ter depositado R$ 440 mil na conta de Silva Júnior, ato que o publicitário disse à PF desconhecer.
Em recurso protocolado no STF (Supremo Tribunal Federal) antes de sua prisão, André Gustavo assumiu a responsabilidade pelo recebimento de R$ 3 milhões da Odebrecht e disse que seu irmão "desconhece os fatos completamente". Ele afirmou que o valor se devia a parte de uma comissão por ele cobrada da empreiteira por serviço de "consultoria" para agilizar a liberação de R$ 1,7 bilhão em empréstimos do Banco do Brasil à Odebrecht.
Pelo serviço, o publicitário disse que cobrou 1% do valor total, ou R$ 17 milhões.
No recurso ao STF, ele confirmou que discutiu os interesses da Odebrecht com o então presidente do BB, Aldemir Bendini, ao qual "narrou ter sido sondado sobre o empréstimo da Odebrecht Agroindustrial e colocou a possibilidade de prestar consultoria àquela empresa para auxiliar no assunto".
Não confirmou, no entanto, que Bendine tenha se beneficiado da "comissão".
Quando a delação de Saud veio à tona, em maio passado, o governador Paulo Câmara afirmou à imprensa de Pernambuco que se reuniu com executivos da JBS para pedir doações oficiais de campanha, mas os recursos não chegaram. Ele negou quaisquer irregularidades.
"Como candidato ao governo de Pernambuco, em 2014, eu tive encontros empresariais com muitas empresas doadoras. Tive encontros que resultaram em doações oficiais e tive encontros que não resultaram em doações. É verdade que tive encontros com representantes da JBS. Foi quando solicitei contribuição de campanha que não veio, que não chegou na nossa campanha. Isso fazia parte da forma de fazer campanha em 2014, ou seja de arrecadar recursos. Era permitido por lei e foi feito por todos os candidatos", disse Paulo Câmara, na ocasião.
Na mesma época, a defesa do senador Bezerra Coelho afirmou que todas as doações para a campanha eleitoral de 2014 foram declaradas e aprovadas pela Justiça Eleitoral. Bruno Araújo também divulgou em maio que "todas as doações foram declaradas e aprovadas pela Justiça Eleitoral".

LEMBRANÇAS...

BENONE LEÃO - SOLANGE LEÃO 

Formatura de Solange em Itapetim/PE

Foto do arquivo pessoal de BENONE LEÃO


Por Gilberto Lopes

PT vai pagar voos de Lula em jatinhos privados


A incorporação de Lula ao diretório nacional do PT, como presidente de honra, resolveu problemas financeiros práticos envolvendo o ex-presidente.
A legenda pode agora, por exemplo, pagar o aluguel de aeronaves para que ele viaje pelo país.
Antes disso, sempre que pagava por uma viagem, o PT tinha que dar várias explicações na hora de prestar contas ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral), já que Lula era, juridicamente, um militante comum.
O diretório recebe cerca de R$ 30 milhões por ano do fundo partidário.  (Painel - Folha de S.Paulo)

Michel Temer sepulta a política


O Estado de S. Paulo - José Roberto de Toledo

Temer fez o que ninguém conseguiu: transformou a Presidência da República em instituição menos confiável até do que os partidos políticos. Pesquisa inédita do Ibope revela que, de 0 a 100, a confiança dos brasileiros no presidente despencou de 30 para 14, desde 2016. Pela primeira vez, é menor do que a confiança nos partidos. De fato nada é menos confiável aos olhos da população hoje do que quem ocupa a Presidência. E esse nem é o pior problema detectado pelo Ibope.
No último ano, a desconfiança na política em geral bateu todos os recordes – segundo a edição 2017 do Índice de Confiança Social, que o Ibope pesquisa e calcula anualmente desde 2009. Do governo federal às eleições, passando pelo Congresso e pelos partidos, a confiança em quase todas as instituições políticas despencou desde 2016, com exceção dos (recém-eleitos) governos locais. A maioria delas chegou ao seu ponto mais baixo em 2017.
Já é ruim o suficiente porque mostra que, ao contrário do que dizem os políticos, as instituições que eles comandam não estão funcionando – não aos olhos de quem os elege. Mas nem é o tamanho inédito da descrença da população nas estruturas que exercem o poder que mais preocupa. Quando se compara a outras instituições, percebe-se que a crise de confiança não é generalizada. Ao contrário, ela tem foco e sujeito determinado.
Em 2009, a confiança nas instituições políticas era 15 pontos menor do que a confiança média nas demais instituições: 48 a 63. Oito anos depois, a desconfiança na política dobrou, e a no resto ficou praticamente estável. O processo começou com os protestos de junho de 2013, se aprofundou com o impeachment de Dilma e chegou a seu ápice com Temer. Em 2017, o “gap” de confiança nas instituições que envolvem políticos – em relação às demais instituições – chegou a inéditos 35 pontos: 25 a 60.
“Com o descrédito da política, as pessoas estão se apegando na fé e na polícia. Ou seja, nas instituições cuja percepção majoritária da população é que estão fazendo algo para melhorar”, diz a CEO do Ibope Inteligência, Márcia Cavallari.
De 2016 para 2017, a confiança média no conjunto das seis instituições políticas (governo federal, eleições, Congresso Nacional, partidos políticos, presidente e governos municipais) caiu 15%. Ao mesmo tempo, a confiança nas outras 14 instituições subiu, em média, 8%. Entre as mais confiáveis aparecem igrejas (subiram de 67 para 72), Polícia Federal (de 66 para 70), Forças Armadas (de 65 para 68) e meios de comunicação (de 57 para 61).
Projetando-se esse descompasso de confiança para as eleições presidenciais de 2018, percebe-se onde eventuais candidaturas-surpresa – e até pretensos salvadores da pátria – poderão se apoiar. Não há transposição direta de confiança de instituições para pessoas. Nem todo padre ou pastor será automaticamente um favorito na corrida presidencial. Mas terão influência.
O mesmo vale para militares (vide o crescimento da intenção de voto em Bolsonaro) e policiais federais. E promotores? A confiança no Ministério Público ficou estável em 54 pontos. É maior do que nos políticos, sindicatos e na Justiça em geral, mas menor do que nos bombeiros, policiais e até nos bancos.
Indubitável mesmo pela pesquisa é que quem estiver ligado ao governo federal ou umbilicalmente conectado ao presidente terá muito mais dificuldade para se eleger do que quem estiver contra ele. A falta de manifestações de rua expressivas e de penelaços pode dar a falsa impressão a deputados e partidos governistas de que sustentar Temer no poder não lhes custará tão caro assim. O auto-engano é sempre um atalho para o suicídio político.

Patos no Caminho da Mudança!

Ramonilson Alves, Deputado Federal Eflain Filho, Benone Leão e Umberto Joubert.  Por uma Patos Melhor!