Português que
falamos, todos esses réus que tentam novos recursos no Supremo são
infringentes: infringiram (do latim infringere) - descumpriram,
violaram, transgrediram, desrespeitaram, ensina o dicionário) a lei e
por isso foram condenados. Mas a discussão nem deveria ser essa: o
Brasil perde longo tempo e o Supremo dedica boa parte de seus esforços
pela oportunidade de tirar uma foto de condenados atrás das grades. Vale
a pena o desgaste, a despesa, o esforço?
Este
colunista sabe que está contrariando boa parte da opinião pública, que
quer ver os condenados morando numa sólida masmorra, com chuveiro de
água fria e banho de sol cronometrado. Mas a pergunta é pertinente: que é
que ganhamos encarcerando os mensaleiros? Os crimes pelos quais foram
condenados poderiam merecer outras penas que não as de prisão. Não é
necessário, nem útil, nem adequado confiná-los em celas. Não precisam
ser contidos; não oferecem risco físico a ninguém. Os condenados devem
sem dúvida ser punidos, mas com a proibição de exercer atividade
política (e, se desobedecerem a essa proibição, aí sim caberia o
confinamento), com multas (o órgão mais sensível do corpo humano é o
bolso), com restrições diversas e trabalho comunitário, de forma a não
deixar tempo para que se dediquem ao que for proibido. Ganham todos;
inclusive nós, contribuintes, livres da pesada conta da hospedagem.
E o exemplo? O
exemplo é vê-los condenados, ponto. Pedaços do corpo de Tiradentes
foram expostos na rua, como exemplo. Foi horrendo. E não deu certo.

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