O governador do Rio de Janeiro, Sergio Cabral, viaja neste momento
para Brasília com o objetivo de pedir socorro ao governo federal para a
guerra contra traficantes. Na noite desta quinta-feira, bandidos
fortemente armados atacaram a tiros e queimaram três UPPs (Unidades da
Polícia Pacificadora), ferindo três policiais. A ideia de Cabral,
segundo fontes do governo carioca, é pedir ajuda de forças federais para
enfrentar os traficantes.
Uma das UPPs foi incendiada e seu comandante, baleado. Outro PM foi
ferido com uma pedrada. Dois suspeitos foram baleados e um deles foi
preso. O tumulto começou na UPP de Manguinhos, por volta das 18h30.
Policiais da unidade tinham ido até um prédio abandonado, que havia sido
ocupado por invasores, com a intenção de cumprir uma ordem de
desocupação. A retirada dos invasores começou pacífica, mas um grupo
passou a atacar os policiais com pedradas. Um soldado foi ferido a
pedrada e o tumulto aumentou, exigindo a intervenção do Batalhão de
Choque.
Traficantes se aproveitaram da confusão e atacaram policiais e a sede
da UPP. Houve troca de tiros, durante a qual o capitão Gabriel de
Toledo, comandante da UPP, foi baleado na coxa direita. Levado
inicialmente ao Hospital Federal de Bonsucesso, na mesma região, ele foi
submetido a exames e depois transferido para o Hospital da Polícia
Militar, onde seria operado durante a madrugada.
Criminosos também atacaram dois carros da PM e o contêiner onde
funcionava a UPP, ateando fogo a eles. O incêndio atingiu a rede
elétrica e deixou sem eletricidade parte do conjunto de favelas,
composto por 13 comunidades.
Por conta do tumulto e da troca de tiros, a circulação de trens da
Supervia no ramal de Saracuruna, que passa perto da comunidade, foi
interrompida por volta das 19h30 e regularizada apenas às 22 horas. A
avenida Leopoldo Bulhões, principal via das imediações de Manguinhos,
também foi interditada.
Outros ataques
Por volta das 20 horas, criminosos atacaram outra UPP, a
Camarista-Méier, situada no complexo de favelas de Lins de Vasconcelos e
inaugurada em 2 de dezembro de 2013. A unidade foi atingida a tiros por
bandidos, mas ninguém foi atingido.
O terceiro ataque foi à UPP do Alemão. Policiais foram surpreendidos
por bandidos e houve tiroteio. Dois suspeitos foram baleados. Um deles
conseguiu fugir, mas o outro foi preso. Seu nome não havia sido
divulgado até a noite.
Um quarto ataque (à UPP Arará e Mandela, vizinha de Manguinhos)
também chegou a ser divulgada por moradores através das redes sociais,
mas não havia sido oficialmente confirmada.
Em nota, o governo do Estado do Rio afirmou que mantém “o firme
compromisso assumido com as populações das comunidades e com a população
de todo o Estado do Rio de Janeiro de não sair, em hipótese alguma,
desses locais ocupados e manter a política da pacificação”.
Ataques de criminosos a policiais e sedes de UPPs têm se tornado cada
vez mais frequentes. Toledo foi o segundo oficial de UPP baleado neste
mês. No dia 13, o subcomandante da UPP da Vila Cruzeiro, Leidson Alves,
de 27 anos, morreu baleado na testa, no Parque Proletário, na Penha
(zona norte). Desde que as UPPs começaram a ser implantadas, em 2008, 11
policiais que atuavam nessas unidades foram mortos.
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