Mas o que assistimos é o avesso disso. Não se discute o momento lamentável e dramático que a Câmara enfrenta. Ao invés da busca do consenso em torno de um nome inatacável, para fazer a transição, muitos já se lançaram porque buscam o poder pelo poder. A prática é velha e oportunista, tão oportunista que o PT está se abraçando com o DEM, representado pelo candidato Rodrigo Maia (RJ).
O DEM, em rima, era demoníaco para o PT. Entretanto, o que o PT deseja é atrapalhar a gestão Michel Temer e para isso vale tudo, até o beijo da morte demoníaco. O próximo presidente comandará uma Casa desmoralizada e esvaziada pelas eleições municipais. Será pressionado a proteger colegas em apuros e terá a vida devassada pela imprensa e pelos órgãos de investigação.
Não parece o melhor emprego do mundo, mas pelo menos 15 deputados já se candidataram a ocupá-lo. A lista pode crescer nos próximos dias, embora ainda não se saiba ao certo nem a data da eleição. A disputa começa com o favoritismo do centrão, que agrupa mais de 200 deputados de siglas médias e pequenas. Essa massa partidária foi fermentada por Eduardo Cunha e resultou num bolo com o triplo do tamanho do PMDB.
Seus principais ingredientes são o conservadorismo e a subordinação a Cunha, que tenta salvar o mandato. O Governo interino finge não se envolver, mas fará o possível para emplacar um presidente dócil, que aprove as "medidas impopulares" anunciadas por Michel Temer. O pacote deve incluir reforma da Previdência, corte de direitos trabalhistas e aumento de impostos.
Quem oferecer mais proteção a Cunha e mais segurança a Temer terá maiores chances de comandar a Câmara. A capacidade para resgatar o prestígio da Casa, que o ex-presidente atirou na lama, é o atributo menos lembrado na disputa. Se isso estivesse em jogo, um dos nomes mais indicados para esta tarefa, que parece visionária, seria o do deputado pernambucano Jarbas Vasconcelos (PMDB).
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