Ricardo Boechat - ISIOÉ
Devidamente espremidas, aquelas cinco horas repetiram o figurino geral desse tipo de evento, produzindo um conjunto previsível de repetições. Voltando à frase inicial, ele se destaca no oco compulsório da sessão porque define com perfeição a moral dominante na política brasileira. Estrela maior desse universo, o capo petista repetiu a certeza de que governar é conciliar os interesses de quadrilhas partidárias e uni-las em torno de um mesmo projeto de poder, ao custo da pilhagem do Estado. Vale tudo para formar a maioria necessária à “governabilidade”: loteamento de cargos, caixa dois, contratos superfaturados, aparelhamento de estatais, contas secretas, mentira institucionalizada…
Lula não está sozinho. Dessa lógica compartilha a maioria dos figurões que lhe fazem oposição. Entre eles, a sacanagem é histórica e geral. A “arte política” com que Lula desafia quem o investiga não é arte, nem é política. Governar passa longe do que ele ensina e pratica. Se os procuradores quiserem aprender “como é que se governa”, podem consultar o “Corruption Perception Index”. O ranking da ONG Transparência Internacional lista democracias onde há governo, partidos e casas legislativas, mas onde não existe corrupção. À direita, à esquerda e ao centro, corrupção não é destino, é escolha. A escolha de Lula e de seus iguais parece clara.
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