segunda-feira, 14 de agosto de 2017

Civilidade política

Por Magno Martins

O que levou o ex-prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, da corrente light petista, a procurar o governador Paulo Câmara (PSB), num sábado, para um almoço em Palácio? Haddad é o plano B de Lula. Se o ex-presidente não conseguir entrar na disputa, o seu candidato in pectoris é sua criatura Haddad, que não deu certo em São Paulo e, candidato à reeleição, perdeu no primeiro turno para João Dória.
Haddad veio ao Estado numa articulação do ex-prefeito do Recife, João Paulo, com que Câmara se encontrou primeiro, casualmente, na inauguração do novo plenário da Assembleia Legislativa, e depois num cafezinho em Palácio. João é do time dos petistas que vêem com muito pessimismo a viabilidade do projeto Lula, não apenas para conseguir o registro junto ao TSE, por força dos inúmeros processos a que responde, mas em termos eleitorais, também.
Por isso, a aposta alternativa é Haddad. E o que pensa o ex-prefeito paulista numa eventual candidatura ao Planalto? Que possa reaglutinar em seu palanque as mesmas forças que Lula uniu em duas campanhas dele e nas duas de Dilma, incluindo ai o PSB. Será tarefa fácil? Em principio, não. Depois da morte do ex-governador Eduardo Campos, o PSB virou uma nau sem rumo. Não tem uma liderança que chame o PSB de meu e que saia por ai tangendo suas ovelhas.
O foco da divisão está justamente em São Paulo, principal colégio eleitoral do País. Ali, o partido está na aliança com o PSDB, que detém o controle do Governo do Estado, e ocupa a Vice-Governadoria com Márcio França. Márcio quer ser o próximo presidente nacional da legenda e já está em campanha, tendo no Congresso eleito os líderes no Senado e na Câmara.
Se Alckmin sair de fato candidato a presidente, em abril do próximo ano, Márcio vira governador, com direito a disputar a reeleição numa aliança com o PSDB. É fato que nem sempre as alianças locais obedecem a uma lógica nacional, mas é muito previsível que o PSB se alie numa jornada nacional ao PSDB do que ao PT. Até já se fala, inclusive, na possibilidade, de Paulo Câmara vir a ser o vice de Alckmin.
Sendo assim, o encontro de Haddad com Câmara pode ser entendido apenas como mais um capítulo da boa civilização política, que ensina não ser aconselhável fechar portas. A politica, como virou lugar comum, é como uma nuvem: muda de repente. Ninguém sabe o dia de amanhã.

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