quarta-feira, 22 de abril de 2015

São José do Egito: Governo Romério Guimarães do PT


Por Manu Medeiros
 Caos na saúde no nosso município, 4 meses sem médicos na Serra do Machado, luta para conseguir ficha no bairro São João, dentista só atende 4 pacientes a tarde, pacientes chegam pela madrugada para esperar a celebridade. Ipiranga 2 faz 2 meses que não chega material de curativo, Bonfim faltando aguá até de beber, planalto 2 sem medicação, HOSPITAL COM RATOS E BARATAS EM TODOS OS QUARTOS, O DIRETOR SE TRANCA NA SUA SALA E VAI DORMI DE RESSACA, NÃO ATENDE NINGUÉM. ONDE VAMOS PARAR... PARA ONDE ESTÁ INDO O DINHEIRO... CADE A SECRETARIA DE SAÚDE...

Executivo delator: Dirceu fez lobby na Petrobras

Da Folha de S.Paulo
Júlio Camargo, da empresa Toyo Setal, disse, porém, que não houve pagamento de propina ao ex-ministro
Em depoimento à Polícia Federal, o executivo Júlio Camargo, da japonesa Toyo Setal, disse que o ex-ministro José Dirceu (Casa Civil) atuou junto ao ex-presidente da Petrobras José Sérgio Gabrielli e sinalizou entrada no governo da Venezuela para tratar de interesses da empresa.
Delator do esquema de corrupção na estatal, Camargo, porém, negou ter pago propina a Dirceu. E ressaltou que, apesar das investidas do petista, a empresa não teve interesses atendidos.
Camargo disse que procurou Dirceu após ser informado que a Petrobras alteraria um modelo de contratação que beneficiava a Toyo. Ele queria "manter os moldes" em que a firma era contratada.
Segundo ele, Dirceu disse ter feito "gestão junto a Gabrielli" para entender a razão da mudança de sistemática.
Mesmo assim, o modelo foi alterado. Dirceu não disse se manteve contato com outras pessoas sobre o caso, afirmou.

Em greve, servidores municipais de Patos realizam manifestação na manhã desta quarta-feira


O Sindicato dos Servidores Municipais de Patos e Região –SINFEMP, prometeu e cumpriu. Na manhã desta quarta-feira (22/04), anunciou a paralisação das atividades da maioria dos servidores municipais.
Agora pela manhã, o sindicato realizou uma manifestação pelas ruas do Centro da cidade. Com carro de som, faixas e cartazes, os servidores anunciavam a greve, e explanavam os motivos da mesma.
Em entrevista ao repórter Higo de Figueiredo da Rádio Espinharas, o sindicalista José Gonçalves, vice presidente do Sinfemp, fez duras críticas a prefeita Francisca Motta (PMDB). Ele disse que a gestora não tinha recebido a comissão dos trabalhadores, mas que iria para frente da Prefeitura exigir que a chefe do Executivo recebesse os trabalhadores.
Na manhã de hoje, a secretária de finanças da prefeitura, Méryclis D’medeiros Batista, concedeu entrevista ao programa institucional da Prefeitura, pedindo paciência e bom senso, pois segundo ela, houve uma queda brusca na arrecadação do município, e não tem como as reivindicações dos servidores serem atendidas agora.
Patosonline.com 

Será que ainda vão dizer que é um preso político?


Ronaldo Caiado


terça-feira, 21 de abril de 2015

Vice dos sonhos de Tancredo seria Marco Maciel

Tancredo Neves - reprodução internet
Neste 21 de abril de 2015 completam-se 30 anos da morte do primeiro presidente civil, depois da ditadura militar, eleito indiretamente para fazer a transição do regime autoritário para o regime democrático: Tancredo Neves.
Tido como fundador da “Nova República”, ele largou o Governo de Minas em abril de 1984 para disputar a presidência da República contra o deputado Paulo Maluf (PP), que era o candidato dos militares.
Como a eleição era indireta (colégio eleitoral), Tancredo buscou legitimar-se nas ruas, participando de grandes comícios em quase todas as capitais do Brasil. O comício do Recife foi na praia de Boa Viagem e contou com a presença de um dissidente do regime: o então governador Roberto Magalhães.
Magalhães participou atividade das articulações políticas para levar outros governadores do seu partido (PSD) para o palanque de Tancredo e foi bem sucedido.
Segundo contou ao JC, o vice da preferência de Tancredo não era José Sarney e sim o senador pernambucano Marco Maciel, mais palatável que o político maranhense.
No entanto, com receio de que sua candidatura fosse impugnada pelos militares, Marco Maciel desistiu da candidatura e apoiou José Sarney (ambos pertenciam ao PSD).
Tancredo tomaria posse no dia 15 de março de 1985. Na véspera, porém, após assistir a uma missa no Santuário Dom Bosco, em Brasília, passou mal e foi internado às pressas no Hospital de Base.
No dia 21 de abril de 1985 viria a falecer no Instituto do Coração, em São Paulo, sem ter sentado na cadeira de presidente. Quem cumpriu integralmente o mandato que lhe pertencia foi José Sarney.
Tinha 75 anos e morreu no mesmo dia do seu conterrâneo ilustre: Joaquim José da Silva Xavier, o “Tiradentes”.

Do jeito que vai...


Ronaldo Caiado


Grandes ou pequenos, algo é certo, o governo do PT tem animado o ano com sua lamentável sequência de escândalos neste ano de 2015.


segunda-feira, 20 de abril de 2015

Marta usa coluna da Folha para dar “tchau” ao PT

Marta Suplicy   foto Agência Brasil
A senadora Marta Suplicy (SP) usou sua coluna semanal na Folha de São Paulo (17/04) para dar adeus ao PT no qual militou durante mais de 30 anos.
Ela ainda não assume claramente, mas deverá filiar-se ao PSB e um dos responsáveis por essa travessia foi o senador pernambucano Fernando Bezerra Coelho (PSB).
Confira, abaixo, o artigo da senadora, intitulado “No outro lado do rio”.
Em 2/6/2012, iniciei esta coluna citando Fernando Teixeira de Andrade: “Há um tempo em que é preciso abandonar as roupas usadas, que já têm a forma do nosso corpo, e esquecer os nossos caminhos, que nos levam sempre aos mesmos lugares. É o tempo da travessia: e, se não ousarmos fazê-la, teremos ficado, para sempre, à margem de nós mesmos”.
Reli o artigo no qual percorro os rituais de passagem existentes em todas as culturas.
Mas o inconsciente é muito forte e quando assume a “pena” a escrita traduz o que, naquele momento, não era percebido com clareza.
Fechei em 2012: “As certezas e os sonhos a serem descartados são o mais difícil na travessia… Largar as roupas que nos levam aos mesmos lugares”.
Não se trata de roupas velhas. Elas podem ser trocadas. Novas composições podem modernizar qualquer armário. Nem me refiro aos mesmos lugares, pois se eles são adequados, produzem alento e desafio e, se ainda fazem sentido no que almejamos, é bom demais. O problema é que no caso das roupas o rei está nu. Viraram geleia.
Os caminhos, infelizmente, não nos levaram aos lugares compartilhados e sonhados. O caminho “descaminhou”. É o tempo da travessia. Que tem que ser feita sob a pena de perder a alma. Muitos, na história política, já fizeram mudanças, rupturas, por motivos e preços diversos nas suas biografias.
Já escrevi que não se chega à outra margem do rio sem respingos. Sempre existe o risco de afogamento. O difícil é tomar a decisão, mas quando ela é tomada, e nunca é fácil, não há força que segure a mudança e o crescimento.
Este tipo de decisão, não ocorre da noite para o dia. São ações, percepções, simbologias que vão se somando e por mais que não se queira entender o traçado e ver com nitidez onde tudo desemboca, elas não desocupam a mente. Como ondas, vão e vem. Mas quanto mais o mar está turbulento menos se consegue segurar o navio. Ou achar o armário bonito. Quanto mais se acreditou no sonho, na utopia, num mundo melhor, quanto mais se investiu, se privou, compartilhou, engoliu injustiça, mais difícil ver luz no túnel. É a hora que não tem mais como usar mecanismo de negação.
É chegado o momento da travessia: de cabeça erguida e muita coragem.
“Finco meu remo na água
Levo teu remo no meu
Acredito ter visto uma luz
No outro lado do rio…
Ouço uma voz que me chama
rema, rema, rema, rema…
Eu muito séria vou remando
E bem lá dentro sorrio
Creio ter visto uma luz
No outro lado do rio…”
(Jorge Drexler)

Heloísa Helena na linha de frente da Rede



Por Lauro Jardim – Radar Online


A Rede colocará Heloísa Helena como uma das mais fortes porta-vozes do novo partido. Depois do apoio de Marina Silva a Aécio Neves no segundo turno, a intenção é voltar a animar a militância com um discurso mais radical-esquerdista.

Sibá em xeque

Por Lauro Jardim – Radar Online
Dois meses e meio após ser alçado à liderança do PT, Sibá Machado enfrenta uma crise de credibilidade entre seus pares.
A situação se agravou desde a semana passada. Deputados petistas têm dito estar envergonhados da veemência de Sibá na defesa de João Vaccari.
Mesmo antes da prisão do tesoureiro, Sibá já havia sido criticado por ter se postado ao lado de Vaccari na mesa da CPI da Petrobras, parecendo ser seu advogado. Muitos dizem que ele poderia defendê-lo sem expor tanto o partido e, consequentemente, o governo.
Mas o incômodo expõe, no fundo, um problema mais grave em torno de Sibá: muitos colegas comentam que ele ainda não está preparado para o cargo, principalmente num cenário de animosidade com o presidente da Câmara e de tão profunda crise.
Escolhido em fevereiro por ser da Construindo um Novo Brasil – a corrente majoritária do PT que se sentia desprestigiada por ser alijada da articulação política com a escolha de Pepe Vargas, da adversária Democracia Socialista -, Sibá frequentemente tem passado a bola no plenário para outros deputados encaminharem as votações pelo PT.


O mesmo acontece no Colégio de Líderes, quando, em embates com Eduardo Cunha, também tem sido necessário que colegas o socorram na argumentação.

O governador Paulo Câmara e o prefeito Geraldo Julio no almoço oferecido pelo deputado federal Jarbas Vasconcelos

Ennio Benning
Um trio perfeito para Pernambuco.

O fim da reeleição está em pauta


Trinta anos sem Tancredo Neves

Por Ricardo Noblat
1
Em fevereiro de 1985, Leitão de Abreu, chefe da Casa Civil do último general-presidente da ditadura de 64, avisou ao presidente eleito Tancredo Neves que Délio Jardim de Matos, ministro da Aeronáutica, estava furioso. Dizia que Tancredo se comprometera a não escolher para sucedê-lo seus desafetos Moreira Lima e Dioclecio Lima. Mas que estava prestes a fazê-lo. Corria contra isso um manifesto de brigadeiros. Tancredo telefonou para Aureliano Chaves, que apoiara sua eleição: “Você tem cinco minutos para dizer quem será o ministro da Aeronáutica: Moreira ou Dioclecio”. Aureliano preferiu Moreira. Tancredo telefonou para seu Secretário de Imprensa e orientou-o a anunciar o nome de Moreira. Francisco Dornelles, sobrinho de Tancredo, que a tudo assistiu, comentou: “Mas, o senhor fez o contrário do que o Leitão disse”. Tancredo: “Se existir um manifesto, quem assinou ainda terá tempo de retirar a assinatura. E quem não assinou não assinará mais”.  Tancredo pediu a Dornelles: “Procure o Leitão. Diga que foi Aureliano quem indicou Moreira. E que a essa altura eu não pude fazer mais nada”. Não houve manifesto.
2
Ao saber que Alfredo Karan, ministro da Marinha, conspirava contra sua candidatura a presidente, Tancredo convidou-o para continuar no cargo. Karan aceitou radiante. Às vésperas de tomar posse, Tancredo explicou-se a um amigo: “Karan tentou me dar um golpe e eu dei um golpe nele. Não será ministro”.
3
Um dia, Tancredo recebeu um recado do deputado Gustavo Farias (PMDB-RJ): “Paulo Maluf me oferece 100 mil dólares para eu votar nele. E o senhor?” Tancredo: “Só prometo que não mandarei atrás de você nem a Polícia Federal nem a Receita”. Ganhou o voto de Gustavo.
4
Houve momentos difíceis na campanha de Tancredo para presidente. Num deles, reunido com auxiliares, as reclamações foram muitas. Um disse: “O senhor abandonou Minas.” Outro: “O comitê do Maluf tem mais computadores do que o nosso”. Um terceiro: “Maluf fala olhando para a câmera de televisão e o senhor não”. Tancredo perdeu a paciência: “Se Maluf é tão melhor por que vocês não vão apoiá-lo?” Ninguém foi.
5
Eleito governador de Minas em 1982, Tancredo ouviu do seu Secretário de Planejamento, Ronaldo Costa Couto: “Para pôr ordem nas contas teremos de demitir 10 mil funcionários”. Tancredo: “Posso contratar mil?” Surpreso, Ronaldo respondeu que sim. No dia seguinte, a manchete do principal jornal de Minas foi a notícia da contratação. A fonte dela: Tancredo. Que se justificou: “Mineiro só gosta de admissão”. O jornal não noticiou as demissões.
6
Governador, Tancredo telefonou para Dornelles. Quando a secretária de Dornelles passou a ligação, Tancredo já estava na linha. Dornelles: “Mas o senhor está aí? Pensei que fosse a secretária”. Tancredo: “Só cheguei a governador porque sempre entrei na linha na frente dos outros”.
7
A um amigo que o viu esperar mais de uma hora para ser atendido por um burocrata do Ministério da Fazenda, Tancredo, ainda deputado federal, ensinou: “Ele me humilha, mas libera minhas verbas. Ministro não manda em ministério. Quem manda é o segundo escalão”.
8
Crisanto Muniz, deputado do PSD, queixou-se a Tancredo: “Somos amigos, mas você dá mais atenção ao Ernane Maia” (deputado do PTB). Tancredo: “Faço isso por um só motivo: ele é doido. E doido tem que ser tratado com muito carinho”.

Casamento DEM-PTB quase consumado



Na reta final para bater o martelo sobre a fusão, as direções de PTB e DEM estimam que a bancada na Câmara cairá de 49 para 43 deputados.A presidente do PTB será Cristiane Brasil, e o do PSB, Carlos Siqueira. José Agripino e Roberto Freire devem presidir as fundações Tancredo Neves e João Mangabeira, que serão mantidas.
Em São Paulo, o DEM quer que o PTB reveja a decisão de apoiar Celso Russomanno (PRB) para a prefeitura da capital.
Tanto no caso da negociação PTB-DEM quanto na do PSB com o PPS devem prevalecer a sigla e o número do maior partido.  (Da Folha de S.Paulo - Vera Magalhães)

Delator: 10 obras em que Camargo pagou propina



Da Folha de S.Paulo – Mário Cesar Carvalho
Os dois delatores da cúpula da Camargo Corrêa citaram em depoimentos a procuradores e à Polícia Federal dez obras da Petrobras em que houve pagamento de propina e apontaram os nomes de novos executivos que tiveram participação no esquema de pagamento de suborno. O suborno tem relação direta com o valor dos contratos da Camargo com a Petrobras. Só um deles, na refinaria Abreu e Lima, é de R$ 3,8 bilhões.
Um dos citados é o ex-presidente da empreiteira, Antonio Carlos Miguel, que depois fez parte do conselho de administração da Camargo, encarregado, entre outras tarefas, de zelar pelo código de ética nos negócios do grupo. Ele saiu do conselho em 2012.
Os delatores Dalton Avancini, presidente da empreiteira, e Eduardo Leite, vice-presidente, contaram em depoimentos prestados após fecharem acordos de delação que a empresa pagou suborno nos contratos do gasoduto Caraguatatuba-Taubaté, na construção da sede da estatal em Vitória (ES), um prédio que tem vidros importados da Bélgica, e numa unidade da refinaria Abreu e Lima (PE).
A propina paga entre 2007 e 2012 chegou a R$ 110 milhões, segundo Leite. A diretoria de Serviços, indicada pelo PT, ficou com R$ 63 milhões; já a de Abastecimento, entregue ao PP, levou R$ 47 milhões.

No Fórum de Comandatuba, assistindo as palestras de FHC, Vicente Fox, Luiz Alberto Lacalle, Jorge Quiroga, respectivamente ex-presidentes do Brasil, Mexico, Uruguai e Bolívia. O 14º FÓRUM DE COMANDATUBA, na Bahia, que reúne líderes políticos e empresariais para uma agenda de debates. A crise na economia brasileira é um dos temas principais.


PT teme que Lava Jato casse seu registro



Da Folha de S.Paulo – Andréia Sadi e Marina Dias
A cúpula do PT teme que as ações dos investigadores da Operação Lava Jato acabem por "inviabilizar'' o funcionamento do partido e até por levar à cassação do registro da legenda.
Antes mesmo da prisão de João Vaccari Neto, o tesoureiro da sigla, na quarta (15), dirigentes afirmaram reservadamente à Folha terem sido informados por pessoas que acompanham os desdobramentos da operação de que o partido deve sofrer sanções financeiras para ressarcir os cofres públicos pela corrupção no esquema da Petrobras.
Desde então, a sigla se prepara, nas palavras de um grão-petista, para uma multa de ''valores astronômicos'' a ser estipulada pelas instâncias judiciais. Segundo a Folha apurou, petistas esperam uma multa correspondente ao valor que Pedro Barusco, ex-gerente da Petrobras, revelou em delação premiada serem propinas pagas ao PT e ao próprio João Vaccari.
Ele estimou que o PT tenha recebido entre US$ 150 milhões e US$ 200 milhões entre 2003 e 2013 de propina retirada dos 90 maiores contratos da Petrobras. O Ministério Público Federal já sinalizou que pedirá punições aos partidos políticos envolvidas na Lava Jato, mas não detalhou quais serão.
Até agora, os pedidos de punição se restringem a políticos e dirigentes partidários. Para petistas ouvidos sob condição de anonimato, a multa "destruirá'' o partido porque a fonte de arrecadação para pagá-la ''secou''.

domingo, 19 de abril de 2015

Cássio: Pedido de impeachment deve ser feito em maio



Foto: Gerdan Wesley
Foto: Gerdan Wesley
Blog do Josias – Cássio Cunha Lima, líder do PSDB no Senado, disse neste domingo (19) que a oposição deve formalizar o pedido de impeachment contra Dilma Rousseff no mês de maio. “Estamos só esperando que o doutor Miguel Reali Júnior conclua um parecer jurídico”, disse o senador ao blog. “Esse parecer depende de uma perícia que pedi ao TCU sobre as pedaladas fiscais do governo. Devemos formalizar em maio.”
O senador participa do 14º Fórum de Comandatuba, na Bahia. Presente ao mesmo encontro, o deputado Eduardo Cunha, presidente da Câmara, dissera mais cedo não enxergar nas chamadas “pedaladas fiscais” uma motivação suficiente para a abertura de processo de impeachment. Alega que a manobra foi feita em mandato anterior. E não colocaria em risco o atual governo de Dilma.
“Como se trata do mandato anterior, eu não vejo como pode resultar numa responsabilidade do atual mandato”, afirmou Cunha, a quem caberá decidir se um eventual pedido de impeachment terá prosseguimento ou será engavetado. “Eu sinceramente não vejo isso no mandato passado para sustentar um pedido de impeachment.”
Cássio Cunha Lima abordou Eduardo Cunha. Aconselhou-o a refletir melhor, já que o pedido de impeachment deve mesmo ser formalizado. E contestou o entedimento do presidente da Câmara: “Prevalecendo essa tese do mandato anterior, haverá uma mudança profunda na jurisprudência do STJ, que tem mais de uma centena de decisões contra prefeitos, punidos inclusive com perda do mandato. O Judiciário não faz distinção entre o primeiro e o segundo mandato. Aplica a tese da ação continuada.”
Líder da oposição na Câmara, o deputado Bruno Araújo, também do PSDB, ecoou o correligionário: “Aplicando-se o entendimento de Eduardo Cunha, presidentes, governadores e prefeitos que se candidatem à reeleição podem roubar e cometer todo tipo de irregularidades. Se tomar posse, está salvo. E Cunha Lima: “Os candidatos à reeleição vão meter o pé na jaca e correr até o dia da posse. Se for empossado, está anistiado. Isso não tem fundamento.”
Mote do pedido de impeachment que a oposição promete protocolar na Câmara, a pedalada fiscal é a manobra adotada pelo governo para melhorar artificialmente o balanço de suas contas em 2013 e 2014. O Tesouro Nacional atrasou repasses para o Banco do Brasil, Caixa Econômica e BNDES. Com isso, os bancos estatais tiveram de cobrir com recursos próprios despesas da União —entre elas, por exemplo, os pagamentos do Bolsa Família e do seguro desemprego.
Em decisão unânime, o TCU considerou que, na prática, houve empréstimos das casas bancárias estatais à União. Algo que a Lei de Responsabilidade Fiscal proíbe. O TCU ouvirá os responsáveis pela manobra, entre eles o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega. Mantida a decisão, abre-se uma picada por onde a oposição pretende fazer tramitar o seu pedido de impeachment.
De passagem pelo mesmo fórum onde estão Cunha Lima, Bruno Araújo e Eduardo Cunha, o ex-presidente tucano Fernando Henrique Cardoso considerou precipitada a movimentação dos oposicionistas. Sem citar o PSDB, FHC declarou: “Como um partido pode pedir impeachment antes de ter um fato concreto? Não pode!”
FHC acrescentou: “Impeachment não pode ser tese. Ou houve razão objetiva ou não houve razão objetiva. Quem diz se é objetiva ou não é a Justiça, a polícia, o tribunal de contas. Os partidos não podem se antecipar a tudo isso, não faz sentido. Você não pode fazê-lo fora das regras da democracia, tem que esperar essas regras serem cumpridas. Qualquer outra coisa é precipitação.”
Os líderes tucanos não tiveram a oportunidade de conversar com FHC na Bahia. Ele chegou, fez uma palestra e saiu antes do almoço. Cunha Lima disse entender a cautela do presidente de honra do PSDB. “Fernando Henrique não vai ser o primeiro da fila, mas certamente não será o último. É compreensível que, como ex-presidente, ele não puxe esse cordão. É natural.”
*Matéria do jornalista Josias de Souza, publicada neste domingo (19)