sábado, 13 de fevereiro de 2016

Engenheiro detalha obra em sítio frequentado por Lula

TV Globo - Jornal Nacional

O Jornal Nacional teve acesso ao depoimento de um engenheiro que reforça a ligação do pecuarista José Carlos Bumlai, preso na Operação Lava-Jato, com a reforma do sítio frequentado pelo ex-presidente Lula, em Atibaia, no interior de São Paulo. O Ministério Público paulista e a Polícia Federal investigam a relação de Lula com a propriedade.
O sítio fica a cerca de 50 quilômetros de São Paulo. Nos últimos quatro anos, o ex-presidente Lula e a família estiveram no sítio 111 vezes. A propriedade passou por uma reforma no fim de 2011, e a suspeita dos investigadores é de que a obra tenha sido bancada por duas construtoras envolvidas no escândalo de corrupção da Petrobras e pelo pecuarista José Carlos Bumlai. Bumlai é amigo do ex-presidente Lula e, está preso no Paraná, acusado de corrupção pela Lava-Jato.
Um depoimento do engenheiro Emerson Cardoso Leite traz novas informações a esse caso.
Ele contou ao Ministério Público de São Paulo que recebeu uma ligação de José Carlos Bumlai solicitando que ele indicasse um profissional para execução de uma reforma num sítio em Atibaia. O engenheiro disse que, como não mexia com reforma de casa, pediu a um outro colega de trabalho, o também engenheiro Rômulo Dinalli, para que que contratasse um arquiteto. O profissional contratado para cuidar da obra do sítio foi o arquiteto Igenes Neto. Emerson também contou que o prazo para a reforma era curto, e que o pecuarista Bumlai exigia que tudo ficasse pronto até o Natal. 
O arquiteto Igenes Neto também prestou depoimento aos promotores paulistas. Ele declarou que não teve contato com nenhum proprietário do sítio e que não sabia quem utilizava o lugar. E deu a mesma informação que o engenheiro Emerson: de que "havia a exigência de entregar a obra para o Natal de 2011, por isso queriam terminar em 120 dias".
Emerson também contou no depoimento que, em determinado momento da reforma, "José Carlos Bumlai ligou agressivamente reclamando que a obra não progredia". E que, em seguida, "Bumlai resolveu mudar a construtora que trabalhava no local". Emerson disse que "tem quase certeza, por conta de informações do próprio Bumlai, que quem tocaria a reforma seria a construtora OAS".
Em depoimento ao Ministério Público, um gerente de uma loja disse que o diretor da OAS Paulo Gordilho foi pessoalmente encomendar e pagar os móveis da cozinha e da área de serviço do sítio em Atibaia. Os promotores suspeitam ainda de que outra empreiteira investigada na Operação Lava-Jato, a Odebrecht, também tenha feito pagamentos da reforma.
Patricia Nunes, que não quis mostrar o rosto e era dona de um depósito em Atibaia, confirmou ao Jornal Nacional que as obras foram coordenadas pelo engenheiro da Odebrecht Frederico Barbosa, que cuidou da construção do estádio do Corinthians.
O Jornal Nacional encontrou o motorista Antonio Carlos de Oliveira Santos, que trabalhava na loja de material de construção e que também fez serviços de carpintaria no sítio de Atibaia. Ele confirmou que era um homem chamado Frederico quem fazia os pagamentos para os operários da obra.
Jornal NacionalVocê sabe onde trabalhava o Frederico?
Antonio Carlos: Comentários, comentários, né, que era da Odebrecht. Agora, se era ou não... Acho que ele nunca negou pra ninguém lá da onde era.
Ele também contou que tinha muita gente trabalhando na obra. “Eu calculo mais de cem pessoas que trabalhavam lá. A primeira etapa, gente que eu vi, que tive contato de começo, não falavam a nossa língua, paraguaio, boliviano era esse tipo de gente”, diz.
A revista Veja desta semana traz a informação de que parte da mudança do ex-presidente Lula de Brasília pra São Paulo foi para o sítio em Atibaia, como mostra uma nota fiscal da transportadora Cinco Estrelas.  A revista informa também que foram mais de 200 caixas, 37 delas de bebidas, além de quadros e plantas. O Jornal Nacional confirmou que o pagamento da mudança está registrado no site Portal da Transparência, do governo federal.
O Instituto Lula afirmou que parte dos objetos pessoais do ex-presidente foi levada para o apartamento dele em São Bernardo e parte para o sítio Santa Bárbara, em Atibaia, com o consentimento dos proprietários, que são amigos de Lula e da família dele há décadas. Segundo a nota, tudo foi feito de forma oficial e registrada. O instituto também afirma que "mais uma vez a privacidade da família do ex-presidente foi violentada, na tentativa sistemática de associá-lo a processos em que ele não é investigado, nem sequer nomeado".
Sobre o depoimento do engenheiro Emerson Cardoso Leite, o Instituto Lula disse que não se responsabiliza por boatos disseminados por alguns órgãos de imprensa.
A Odebrecht informou que não conhece o inquérito a respeito da obra mencionada e, por isso, não vai se manifestar.
A defesa de José Carlos Bumlai também não vai se manifestar porque não conhece o depoimento citado.
O Jornal Nacional não conseguiu contato com o diretor da OAS Paulo Gordilho e nem com a construtora.


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