sábado, 17 de março de 2018

Já em pré-campanha, Maia vê parentes no Nordeste


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Com apenas 1% das intenções de voto para a Presidência, Maia foi recebido com abraços e fogos de artifício no interior da Paraíba
Daniel Carvalho – Folha de S.Paulo
 “Olá, eu sou sua prima”, disse animada a aposentada Vera Lúcia Maia, 60, que esperava o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), nesta sexta-feira (16) na porta da Prefeitura de Catolé do Rocha, cidade a 414 km de João Pessoa.
Ela só não sabia que não estava abraçando e beijando o pré-candidato à Presidência da República, mas o deputado paraibano Efraim Filho, correligionário de Maia.
“Você também é bonito. Só vejo o povo falando, mas eu não vejo você na televisão”, disse depois de ser apresentada ao desconhecido Rodrigo Maia, que ainda patina nas pesquisas eleitorais com 1% das intenções de voto, conforme o último Datafolha.
A aposentada, como quase todos na cidade, ou são Maia ou são casados com alguém da família que há décadas comanda a política local, inclusive disputando cargos entre si.
Em busca da popularidade, Maia resolveu enfrentar seu primeiro “test drive” de Nordeste, começando seu giro pelo país visitando os familiares que, em geral, nunca havia visto.
A relação da família do pré-candidato com a cidade que votou majoritariamente nos candidatos do PT nas quatro últimas eleições presidenciais é tamanha que vereadores aproveitaram a visita para entregar um título de cidadão catoleense conferido ao pai dele, o ex-prefeito do Rio Cesar Maia, em 2009. A comenda fora concedida, mas nunca buscada.
Tímido, trajando calça jeans e camisa social com mangas arregaçadas e iniciais bordadas no peito, Maia mostrou-se desconcertado com os pedidos de fotos e abraços até chegar ao gabinete do prefeito em exercício, Laurinho Maia (DEM), que, obviamente, também é familiar dele.
Na visita, ouviu uma série de pleitos e chegou a dar o número particular de telefone para uma parente que pediu ajuda para fazer tratamento de uma doença degenerativa na Espanha. Maia rasgou a aba de um envelope que tinha nas mãos e entregou seu celular.
Antes de seguir para um almoço com os primos, com direito a foto de álbum de família, ouvi a história de um busto doado ao município por seu avô paterno, Felinto Maia, quando este era presidente da Casa da Moeda, em 1951.
Tentando perder mais que os quatro quilos que diz já ter emagrecido, Maia comeu carnes típicas da culinária nordestina, como a de bode, mas evitou arroz, doce e uísque. 
Mas não fez nada parecido com a emblemática cena do então candidato Fernando Henrique Cardoso, que, em 1994, tentando aumentar sua popularidade na região, montou um jegue, que coiceou um asno em Delmiro Gouveia (AL).

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