Fica Temer: slogan empolga aliados do presidente


Apoio em troca de cargos gera disputa pelas vagas que PSDB pode deixar."Importante é que enquanto alguns protestem, a caravana passe", diz Temer
TV Globo

No Palácio do Planalto, o presidente Michel Temer disse que a denúncia do procurador-geral da República é uma injustiça contra o Brasil.
Novas barreiras de concreto nos acessos aos palácios do Jaburu e Alvorada. No Planalto, nesta terça-feira (11), deu até fila. A agenda de Michel Temer estava ininterrupta.
Na solenidade de assinatura da lei de regularização fundiária, ele reafirmou o respeito à futura decisão dos deputados.
“O importante é que enquanto alguns protestem, a caravana passe. E a caravana está passando.   Isso é que é importante. Eu quero dizer que eu estarei obediente a tudo aquilo que os senhores deputados decidirem. Não tem a menor dúvida disso. Mas eu quero agradecer a eles porque eles tiveram, nas orações que fizeram, eles revelaram a indignação com a injustiça. Não só injustiça com o fato em si. Mas injustiça com o que se faz com o Brasil. Porque os que querem, na verdade, impedir que continuemos, são aqueles que querem paralisar o país. De modo que nós não vamos admitir isso, não vamos tolerar, nós vamos em frente, nós vamos continuar distribuindo títulos agrários e títulos da cidade. Muito obrigado”, disse.
Mas são as tratativas para assegurar apoio a Temer na Câmara que dominam a agenda no Planalto.

Numa só reunião, Temer recebeu 19 parlamentares do Maranhão, prefeitos e ministros. A ordem é agradar aliados. O governo intensificou a liberação de verbas e a distribuição de cargos.
Um dos aliados que mais contribuíram com substituições na CCJ, por exemplo, foi o PR. O partido de Valdemar da Costa Neto, condenado no mensalão, foi muito bem atendido, com cargos no DNIT e pelo menos R$ 10 milhões em emendas de bancada.
E nesse ritmo de apoio em troca de cargos, já há disputa pelas vagas que o PSDB pode deixar. Na reunião dos principais líderes tucanos, na segunda-feira (10) em São Paulo, não houve acordo sobre o desembarque do governo. Os tucanos estão divididos.
O governador de são Paulo, Geraldo Alckmin, disse nesta terça que o importante é manter o apoio às reformas.
“Cada vez vai ficando mais claro que não há necessidade de o partido ter pessoas no governo, por mais gabaritadas que sejam, mais preparadas que sejam, para poder ajudar o Brasil e ajudar o povo brasileiro neste momento difícil”, afirmou.
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso foi um conciliador na reunião, buscando manter o partido no mesmo tom. Ele contou que, há duas semanas, mandou uma carta a Michel Temer, abrindo-lhe os olhos para o que está acontecendo. Mas não obteve nenhum retorno.
Fernando Henrique já pediu publicamente a renúncia de Temer e eleições diretas sem conchavos, depois de aprovada uma reforma política com cláusula de barreira.
Enquanto aguarda um consenso, o PSDB liberou sua bancada de deputados para votar como quiserem a denúncia contra Temer.
O presidente interino do partido, Tasso Jereissati, a favor do desembarque, acha que não há saída para Temer.
“Os fatos estão mostrando. Nós vamos viver daqui por diante, estando Temer no governo, crise após crise. Nós temos essa, em seguida vamos ter a segunda denúncia do Ministério Público, depois vêm novas delações que estão sendo faladas por aí, então nós vamos ter, até o fim do ano, vamos viver de crise”.
Nessa mesma reunião em São Paulo, os tucanos discutiram a situação de Aécio Neves, presidente afastado do partido, que estava presente, como informou o blog da jornalista Andréia Sadi. O prefeito de São Paulo, João Dória, cobrou a saída de Aécio da presidência do PSDB. Pediu, também, antecipação das eleições na executiva como uma espécie de saída honrosa para Aécio.
O Planalto já nem conta com votos do PSDB. Mesmo assim acha que tem votos suficientes na comissão e faz de tudo para assegurar votos também no plenário.
O tempo é um dos principais obstáculos para Temer. Por isso mesmo, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, do Democratas, foi chamado ao Jaburu. O encontro foi na segunda-feira, por volta das 22h. Temer queria saber do rito da denúncia. Ouviu de Maia que não tem como marcar a votação no plenário sem a votação na CCJ. Tem que aguardar.
Maia recebeu também na segunda-feira, na residência oficial, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles. Oficialmente, o tema do encontro com Meirelles foi a situação fiscal do Rio de Janeiro, mas em caso de afastamento de Temer, é Maia quem assume a Presidência. Nos bastidores, se fala que, se assumir a Presidência, Maia deve manter a equipe econômica.

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