quinta-feira, 8 de junho de 2017

Benjamin aponta abuso de poder na campanha de 2014


Benjamin aponta dois casos de abuso na campanha de 2014. Relator de ação contra Dilma e Temer disse que partidos bancaram campanha com propina paga em anos anteriores e que marqueteiros também receberam de empresa contratada pela Petrobras.
Do G1 - Renan RamalhoGustavo Garcia, Fernanda Calgaro e Fabiano Costa

O ministro Herman Benjamin, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), apontou nesta quinta-feira (8) ao menos dois casos de abuso de poder político e econômico que teriam favorecido a ex-presidente Dilma Rousseff e o presidente Michel Temer na eleição de 2014.
Relator do processo que investiga a campanha, ele prosseguiu a leitura, durante a tarde, do voto de 550 páginas no qual analisa, principalmente, como se deu a arrecadação de recursos. Ele interrompeu o voto para retomar na manhã desta sexta (9), a partir das 9h.
A decisão final sobre o mandato de Temer e a inegibilidade de Dilma depende ainda dos votos de outros seis ministros do TSE: Napoleão Nunes Maia Filho, Admar Gonzaga, Tarcísio Neto, Luiz Fux, Rosa Weber e Gilmar Mendes.
Durante seu voto, Benjamin entendeu que a primeira demonstração de abuso foi a acumulação ao longo do tempo, por PT e PMDB, de recursos de propina paga por empreiteiras contratadas pela Petrobras, usados posteriormente, no momento da disputa eleitoral.
“Os partidos que encabeçaram a coligação Com a Força do Povo acumularam recursos de ‘propina-gordura’, ou ‘propina-poupança’, que lhes favoreceram na campanha eleitoral de 2014. Trata-se de abuso de poder político e ou econômico em sua forma continuada, cujos impactos sem dúvida são sentidos por muito tempo no sistema político eleitoral”, afirmou.
O ministro também considerou ter ocorrido abuso num episódio envolvendo o pagamento de US$ 4,5 milhões ao casal de marqueteiros João Santana e Mônica Moura, a partir de uma propina paga pelo estaleiro Keppel Fels para obter contratos de construção de navios-sonda para a Petrobras e a Sete Brasil.
“Temos uma contratante da Petrobras, temos pagamento tirado de um crédito rotativo, de uma conta poupança de propina da Keppel Fels para o partido do governo, e esses recursos foram utilizados para pagamento de marqueteiros de 2014. Que os pagamentos sejam relacionados a débitos de 2010, 2012, isso é irrelevante, porque sem esses pagamentos, os marqueteiros não fariam a campanha de 2014”, afirmou o relator.

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