Estados não resolvem sozinhos 'emergência nacional', diz Jungmann

O ministro da Defesa, Raul Jungmann, falou com exclusividade ao Blog.

Assista no vídeo abaixo o que o ministro afirmou sobre a crise nos presídios:


Leia abaixo a transcrição da entrevista do ministro Raul Jungmann ao Blog:

Blog do Camarotti: Ministro, qual foi o objetivo dessa decisão de colocar as Forças Armadas para essa vistoria, varredura dentro dos presídios?
Raul Jungmann: Bom, a ideia aqui é apoiar os governos estaduais e, ao mesmo tempo, contribuir para frear essa aspiral de violência que está ocorrendo dentro do sistema prisional do país. Nós estamos, além das Forças Armadas, que vão realizar a vistoria, a varredura e retirar as armas e explosivos e retirar tudo aquilo que tem contribuído para esta carnificina dentro do sistema prosional, o governo federal, através de determinação do presidente Temer, está oferecendo recursos para compra para todo sistema prisional de bloqueadores de celular, de raio x e de scanners. Então, feita a limpeza dos presídios e penitenciárias, retirando todos esses objetos que contribuem para esta situação e também tirando os celulares, que é um meio de comunicação que existe atualmente do crime no interior dos presídios com as gangues lá fora e, colocando essa ferramentas à disposição dos governos, nós estaremos dando uma contribuição que nós repitamos importante para reduzir não apenas essa violência no interior do sistema, mas também para cortar essa relação dos chefes que estão presostêm  com suas quadrilhas que estão fora das prisões e penitenciárias. Essa é a razão dessa determinação do presidente Temer e que as Forças Armadas vão cumprir, como sempre, com a competência, logística e planejamento que elas desenvolveram ao longo do tempo.


Blog: No momento da varredura das Forças Armadas nos presídios, caso haja uma rebelião, como se evitaria um novo Carandiru?
Jungmann: Em primeiro lugar, quem vai lidar com os presos serão as polícias militares, os agentes penitenciários e, em alguns casos, a Força Nacional. O que as Forças Armadas vão cuidar é de fazer uma limpeza completa nas instalações, deixando elas limpas e, daí em diante, a responsabilidade para que elas assim permaneçam vai ficar na mão dos governos estaduais e dos sistemas prisionais dos estados e para isso estamos colocando um conjunto de ferramentas: o scanner, o raio x, o bloqueador para que de fato não voltem a entrar esses instrumentos ou substância que contribuem para a insegurança e o descontrole dos presídios brasileiros.


Blog: Risco de confronto não haveria?
Jungmann: Eu diria que todo planejamento será feito e será bem feito para evitar isso. Além do mais, quando um governador solicitar ao presidente da República que as Forças Armadas façam essa limpeza nas penitenciárias, o instrumento legal será o GLO. Ou seja, um decreto de Garantia da Lei e da Ordem. Nesse decreto, que observa o mandamento constitucional, o controle do planejamento e a execução ficam nas mãos das Forças Armadas, que contarão com o apoio e o suporte das polícias Civil e Militar, do sistema penitenciário e seus agentes, e também, quando necessário, da Força Nacional de Segurança. Isso significa que vai se reduzir ao mínimo a possibilidade de qualquer tipo de confronto.


Blog: Essa decisão do presidente Michel Temer de colocar as Forças Armadas é uma resposta, é um sinal de que essa é uma grave crise de segurança não só dos estados, mas do país como um todo?
Jungmann: Eu não diria que o país ou a nação está em crise mas, de fato, é uma emergência nacional que nós estamos vivendo e, em particular, dado que o crime se nacionalizou no Brasil, o PCC e Comando Vermelho estão em praticamente em todos os estados, e que eles também começam a disputar mercado na área internacional, é evidente que os governos estaduais sozinhos não poderiam resolver essa emergência. Daí, a decisão do presidente, que é uma decisão corajosa, de empregar a força do Estado, o prestígio, a capacidade que têm as Forças Armadas para darem apoio aos estados e também para cortar essa aspiral de violência e tragédias que tem ocorrido no interior do sistema.


Blog: Como foi recebida pelas Forças Armadas essa decisão do presidente Michel Temer?
Jungmann: As Forças Armadas já vêm, através de, por exemplo, decretos de Garantia da Lei e da Ordem, só citando os mais recentes, em Natal, nós entramos quando havia uma situação de rebelião e de ameaça à ordem pública. No caso também de São Luis, a mesma coisa: o desafio dos criminosos à ordem e à segurança e nós também fomos lá, no caso as Forças Armadas. Mais recentemente, em Pernambuco, onde uma greve das polícias colocava em risco a segurança, a propriedade e as pessoas. Em todos esses casos, as forças estavam contribuindo  para restaurar ou manter a segurança e a ordem pública, então, elas encaram isso como missão. E missão para as Forças Armadas aqui é sempre dito e sempre respondido o seguinte: missão dada, missão cumprida! E assim vai ser feito.

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