O andar da carruagem encalhada


Carros em pátio de locadora em S.Paulo
Vinicius Torres Freire - Folha de S.Paulo
AS EXPECTATIVAS para a economia brasileira em 2017 foram muito reduzidas e são agora menos que modestas. Em vez de dúvidas sobre crescimento, discutimos se ficaremos à tona, se não vamos encolher outra vez. A despiora continua, contudo, apesar de lenta e trôpega.
Nesta quarta (4), soubemos que a venda de veículos caiu pouco mais de 20% em 2016, ante 2015, dados da Fenabrave, associação nacional dos revendedores. É horrível, mas já foi pior. Entre março e julho do ano recém-acabado, a queda andava em torno de 29%, em termos anuais (vendas acumuladas em 12 meses).
No ritmo recente de despiora, as vendas parariam de cair, ano a ano, lá por setembro. Na estimativa da Fenabrave, 2017 fecha com 2,4% de alta nas vendas, anualmente no vermelho desde setembro de 2013.
Ainda não saíram os dados da produção de veículos de 2016, que andavam um tico melhores pelo menos até novembro. A baixa anual na produção de veículos deve ter ficado ainda na casa de 13%. De novo, é horrível, mas já foi pior. Entre março e agosto, a produção caía ao ritmo de 25% ao ano. Outra vez, despiora.
A fabricação e a venda de veículos foram uma frustração terrível em 2016. No início do ano, a associação das montadoras, a Anfavea, previa aumento de 0,5% na produção e queda de "apenas" 7,5% nas vendas. Em junho, reviu os números para queda de 5,7% na produção e 19% nas vendas. Ainda estavam otimistas, como se vê.
O desastre fica mais evidente quando se lembra que a indústria tem capacidade de fabricar 5 milhões de veículos por ano (carros, comerciais, caminhões, ônibus etc.). A utilização ideal dessa capacidade é de 85%, 4,25 milhões, diz a indústria. Está fabricando metade disso, cerca de 2,1 milhões.
Diante de uma baixa de 20% nas vendas e, provavelmente, de 13% na produção, de onde viria o impulso para pelo menos zerar o jogo, deixar de cair? Taxas de juros menores, pessimismo menor dos consumidores, pelo menos estagnação na massa de rendimentos do trabalho.
Não parece animador, são estímulos pequenos.

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