terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Preocupado com delações, PMDB quer aliado na vice-presidência do Senado

G1, Brasília

O dono da maior bancada do Senado, o PMDB está preocupado com o futuro do provável sucessor de Renan Calheiros (PMDB-AL) no comando da Casa: o atual líder do partido, Eunício Oliveira (CE). Temerosa com os imprevisíveis desdobramentos das delações dos executivos da construtora Odebrecht, a cúpula peemedebista quer um nome do PSDB para a vaga de vice-presidente do Senado.
O receio do PMDB se deve ao fato de Eunício – que deve ser eleito para a presidência da Casa na eleição marcada para 1º de fevereiro – ser um dos políticos citados nas delações da Operação Lava Jato.
Na pré-delação que antecede a assinatura do acordo de colaboração premiada com a Procuradoria Geral da República, o ex-vice-presidente de Relações Institucionais da Odebrecht Cláudio Melo Filho disse que repassou R$ 2,1 milhões ao senador cearense em troca de apoio a projetos de interesse da empreiteira.
Eunício nega a acusação e diz que todos os recursos de sua campanha foram recebidos e declarados de acordo com a lei e aprovados pela Justiça Eleitoral.
No entanto, caciques do PMDB estão com receio de que a situação de Eunício se agrave e, caso ele seja eleito, a Justiça determine seu afastamento da presidência do Senado.
Para evitar problemas futuros para o Palácio do Planalto, a intenção dos peemedebistas é assegurar a eleição de um senador afinado com a política econômica do presidente Michel Temer para o segundo posto mais importante do Senado.
Ainda está viva na memória da cúpula do PMDB e na do Planalto a liminar (decisão provisória) concedida no final do ano passado pelo ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o afastamento de Renan Calheiros da presidência do Senado após o parlamentar alagoano se tornar réu por peculato (desvio de dinheiro público) na própria Corte.
Na ocasião, os peemedebistas tiveram que lidar com a desconfortável possibilidade de um adversário do Planalto assumir o comando da Casa na hipótese de o plenário do STF ter avalizado a decisão monocrática de Marco Aurélio. Atualmente, o vice-presidente do Senado é o senador Jorge Viana (AC), do PT.

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