sexta-feira, 3 de julho de 2009

Só as aparências no SENADO

A mais velha raposa da política brasileira, o senador José Sarney (PMDB-AP), não deu ouvidos ao tempo, nem prestou a devida atenção ao que se passava ao seu redor. Aos 79 anos, cometeu o suicídio político. Incentivado pelo companheiro de partido, o senador Renan Calheiros (PMDB/AL), José Sarney aceitou disputar a presidência do Senado, para preservar um fabuloso nicho de poder, onde mandava e desmandava, ganhou a eleição e perdeu tudo. Agora, ouve o grito "Xô Sarney". São muitas as denúncias que pesam sobre ele, como foram muitas as denúncias que provocaram a saída de Renan da presidência da Casa, há dois anos. Mas a chamada banda podre do PMDB continua firme no Senado e no governo, com poder. E, como sempre acontece nos momentos agudos de crise no Congresso Nacional, seja no Senado ou na Câmara dos Deputados, multiplicam-se os rumores da existência de dossiês contra a maioria dos 81 senadores, sobretudo dos que deram as costas a Sarney. Tais dossiês estariam nas mãos de quem? De Renan Calheiros. É o que sediz. É sabido que muitos desses senadores não resistem à ameaça de um dossiê, como ficou provado em 2007, quando Renan Calheiros esbravejou para todos os lados e, se foi obrigado a deixar a presidência do Senado, preservou o mandato, voltou à cena através de Sarney e continua dando as cartas. Pelo teor das várias denúncias que minaram a credibilidade do Senado e pelas descobertas feitas depois que os atos secretos se tornaram públicos, chega-se à conclusão de que o Senado é um grande Caixa 2, como já disse alguém. E a esta altura, a permanência ou a saída de Sarney do comando da Casa é apenas um detalhe da grave crise que atinge o Senado. Mas, claro, a saída de Sarney da presidência salva pelo menos as aparências. Agora, o que interessa é saber quem vai ter poder para moralizar o Senado, e quem vai ter autoridade para por rédeas no uso do dinheiro público. Essa é a grande questão. DP,03/07/09.

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