quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Apoio a governistas abre guerra interna no PT

O senador Lindbergh Farias (PT-RJ), que rechaça acordos com governistas no Congresso
Folha de S.Paulo - Cátia Seabra e Débora Álvares
A disputa pelo comando da Câmara e do Senado aprofundou a crise interna do PT.
Com a anuência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as principais lideranças defendem a composição com candidatos de partidos da base do governo Temer, como Rodrigo Maia (DEM) ou Jovair Arantes (PTB) na Câmara e Eunício Oliveira (PMDB) no Senado.
O líder do partido na Câmara, Carlos Zarattini (SP), abriu diálogo com os governistas sob o argumento de que a prioridade é que o PT tenha hoje um espaço nas Mesas Diretoras compatível com o tamanho de sua bancada.
Segunda maior bancada da Câmara, com 57 deputados, o PT quer a segunda secretaria, responsável por serviços administrativos e encaminhamento de requerimentos de informação a ministros.
Para petistas, não será possível ter o cargo com o lançamento de uma candidatura de oposição, como a do pedetista André Figueiredo (CE).
"Não adianta um candidato de oposição fazer um discurso bonito no dia de votação e acabar ali. Nossa prioridade é ver respeitada a regra que garante ao PT a segunda vaga na mesa. Quem é contra isso não entendeu a questão", diz Zarattini.
O líder do PT manifestou sua posição na terça (10) ao participar do lançamento da candidatura do governista Jovair. Sua presença provocou a reação.
Secretário de Formação do PT, Carlos Árabe lembra que Jovair foi relator do voto do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff. "É indigno e imoral o líder do PT botar o pé no ato desse candidato golpista", criticou.
No Senado, em desacordo aberto com o líder da bancada, Humberto Costa (PE), Lindbergh Farias (RJ) critica o apoio à candidatura de Eunício à presidência da Casa. O PT tem dez senadores.
"É fazer aliança com golpista, que foi relator da PEC 55 [teto de gastos], que vai comandar o processo de desmonte da Constituição e de ataque ao direito dos trabalhadores", acusou.
Dois dos maiores defensores de Dilma à época do impeachment, Lindbergh e Gleisi Hoffmann (PR) rechaçam a costura com governistas.

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