HOSPITAL 9 DE JULHO DOOU R$ 5,3 MI PARA CAMPANHAS


Agência Estado

A Lava Jato encontrou na residência de Branislav Kontic – ex-assessor de Antonio Palocci e acusado de atuar como emissário do ex-ministro no contato com a Odebrecht para beneficiar a empreiteira no governo federal -, extratos de consultorias prestadas por Brani, como ele era conhecido, ao Hospital 9 de Julho e à empresa Multiplan, responsável pela gestão de shoppings e empreendimentos imobiliários em todo o País.
Assim como o ex-ministro, Brani abriu empresas de consultoria após deixar a assessoria de Palocci na Casa Civil, em 2011 (governo Dilma). Ele fez parte do quadro da Projeto Consultoria, do ex-ministro, até agosto de 2012 e é o dono da Anagrama Consultoria, empresa que tem apenas ele como sócio. Foi justamente a Anagrama que recebeu, segundo os extratos encontrados em sua residência, R$ 924,2 mil do Hospital 9 de Julho e R$ 755,2 mil da Multiplan de 2013 a 2015 a título de consultorias a estas empresas.
Chamou a atenção da PF o fato de a empresa ter apenas Brani como sócio e não possuir nenhum funcionário, além de ter como atividade ‘consultoria em gestão empresarial, exceto consultoria técnica específica’.
“Chama atenção um hospital, que de acordo com banco de dados à disposição da Polícia Federal, possui diversos contratos com a administração pública, que realizou diversas doações para vários partidos políticos, possuir um contrato de consultoria com uma empresa que sua atividade econômica é consultoria em gestão empresarial, exceto consultoria técnica específica”, aponta o agente da PF Antonio Chaves Garcia, que assina o relatório.
O tradicional hospital doou o total de R$ 5,370 milhões a candidatos e partidos nas eleições de 2012 e 2014. Dentre os destinatários das doações registradas na Justiça Eleitoral estão PT, PMDB, PSDC, PSD e PMDB. Entre os nomes dos destinatários de doações do hospital destaca-se Olavo Calheiros Filho (PMDB), irmão do presidente do Senado Renan Calheiros (PMDB) e que recebeu R$ 400 mil do hospital.
No relatório, a PF não aponta irregularidades nas doações, apenas rastreia as movimentações financeiras do hospital, bem como seus contratos com a administração pública.
O Hospital 9 de Julho, segundo a PF, aparece como destinatário de recursos do Tesouro Nacional, do Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) por meio do Hospital Geral de São Paulo, Hospital de Aeronáutica de São Paulo e Comando do 8.º Distrito Naval.
A instituição também aparece como fornecedora do Hospital Militar de Área de São Paulo – Unidade compradora Fundo do Exército) e Serpro – Regional São Paulo (Serviço Federal de Processamento de Dados).
Atualmente, Brani está preso no Complexo Médico Penal de Pinhais, nos arredores de Curitiba, base da Lava Jato, e responde a uma ação penal por corrupção e lavagem de dinheiro relacionados à obtenção, pela Odebrecht, de contratos de afretamento de sondas com a Petrobrás.
Segundo as investigações, Brani atuava como intermediário de Palocci no contato com a empreiteira.
Além da denúncia, a Lava Jato segue apurando as atividades de Brani e, por isso, rastreia seus contratos de consultoria.
O Hospital 9 de Julho não retornou os contatos da reportagem.
O advogado afirmou que a empresa de seu cliente é “absolutamente regular”. “Esta é uma empresa absolutamente regular, de prestação de serviços, da qual ele é sócio e, pelo que eu saiba, o hospital não é entidade publica e nem a remuneração paga por ele (a Brani) sai do erário. Se trata de um contrato entre particulares, da mesma forma que ocorre com a Multiplan, que também é uma pessoa jurídica de direito privado”, disse.
“Em resposta ao questionamento da reportagem do Estado de S. Paulo, a Multiplan esclarece que assinou um contrato com a empresa Anagrama Consultoria e Assessoria Ltda em julho de 2014. O contrato tinha finalidade específica de prestação de serviços de análise sobre as modificações no Plano Diretor Estratégico do Município de São Paulo, na Lei de Uso e Ocupação do Solo e seus impactos no desenvolvimento dos empreendimentos que a empresa possui na cidade. Os serviços foram pagos em bases mensais e prestados por arquitetos e profissionais qualificados, com expertise técnica em regulação urbanística, tendo sido encerrado o contrato em junho de 2015.”

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