Ex-prefeita: reclusão e abandono após caso de corrupção


Folha de S.Paulo – Marcelo Toledo
De figura importante em seu partido, votações recordes e presença constante em eventos na cidade, ao ostracismo e reclusão em casa, passando por uma prisão e investigação que a tirou do cargo.
Esse é o resumo da vida política da ex-prefeita de Ribeirão Preto Dárcy Vera (PSD), primeira mulher eleita e reeleita ao cargo na cidade e que passou 11 noites na prisão apontada como integrante de um esquema de corrupção.
Ela supostamente desviou ao menos R$ 203 milhões dos cofres públicos, segundo o Ministério Público paulista.
Da Dárcy que circulava numa Kombi rosa —"sua cor favorita"—, que dançava e cantava em eventos e era assídua em redes sociais, pouco restou.
Após a deflagração da operação, em setembro, a ex-prefeita passou a evitar aparições públicas e, depois de obter liberdade provisória, em dezembro, vive enclausurada em casa, no bairro Ribeirânia.
Antigos amigos e aliados políticos que estiveram em seu governo não a têm procurado. Alguns deles nem podem fazer isso, pois também são acusados e a Justiça os proibiu de manter contato com investigados.
A Folha ouviu ex-membros do primeiro escalão dos dois governos Dárcy (2009-2016), amigos, vizinhos e funcionários da prefeitura, que afirmam que a ex-prefeita passa a maior parte dos dias sozinha e não consegue sair de casa por temer ser xingada.
Foi o que aconteceu até aqui ao se apresentar à Justiça, em visitas quinzenais ao Fórum de Ribeirão, onde recebeu vaias e xingamentos.
Situação difícil para quem se tornou uma das vozes mais populares da cidade como locutora da rádio Conquista FM, nos anos 90, e chegou a apresentar programa de TV numa emissora local.

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