Deputado questiona segurança com índices de 2007


Razões que expliquem o descompasso entre o que o governo do estado reservou de investimentos para a segurança e a inexistência de resultados que justifiquem os milhões anunciados foram cobradas, na última terça-feira, pelo deputado Álvaro Porto (PSD). “Se recursos estão sendo empregados, frotas de viaturas estão sendo renovadas e contratações estão sendo feitas a gestão precisa esclarecer porque o estado voltou a apresentar índices de criminalidade de dez anos atrás?”, questionou.
Em abril o governador Paulo Câmara (PSB) informou ter destinado R$ 290 milhões para o setor. Por sua vez, balanço da própria secretaria de Defesa Social revelou que o primeiro semestre de 2017 deste ano foi o mais violento dos últimos dez anos. No primeiro semestre de 2007, quando o acompanhamento desses dados começou a ser divulgado por meio do programa Pacto pela Vida, foram cometidos 2.424 assassinatos. Por sua vez, no primeiro semestre deste ano, foram registrados 2.875 homicídios, o que significa 451 casos a mais do que em 2007.
“Há incapacidade? Incompetência? Equívocos? Não chegou a hora de rever políticas que se mostram fracassadas?”, indagou Porto em discurso na Alepe. “A realidade das ruas continua bem mais perigosa, sangrenta e letal do que nos quer fazer acreditar os discursos e a propaganda da gestão do governador Paulo Câmara. Outros dados do balanço do primeiro semestre de 2017 atestam isso. Foram registrados 62.761 crimes violentos contra o patrimônio, incluindo roubo de veículos, 15.833 ocorrências de violência contra a mulher e 997 casos de estupros”, enfatizou.
Álvaro Porto destacou que além do pavor que a realidade da violência instalou no estado, a maneira como o governo tem se posicionado diante dela impressiona e revolta os pernambucanos. "Impressiona porque é inacreditável que um secretário de estado abra a boca para afirmar que se sente seguro em Pernambuco e que perigo existe em Paris, onde ele diz ter sido assaltado. E revolta porque uma declaração dessa natureza soa como um deboche e, principalmente, um desrespeito às famílias enlutadas pela violência", afirmou.
O deputado se referiu ao episódio em que, num programa de rádio, em meados do mês passado, o secretário de Planejamento e Gestão, Márcio Stefanni, proferiu a frase que repercutiu negativamente. "Durante o recesso, este tema foi mastigado pela imprensa e alvo de indignação nas redes sociais, mas é imprescindível que seja lembrado aqui na Assembleia. Até porque a declaração diz muito sobre o Governo", disse, lembrando que a mesma opinião foi externada pelo novo secretário de Defesa Social, Antônio de Pádua, em entrevista à imprensa, no começo de julho.


"Se dentro do governo existem os que não se incomodam com o fracasso que a própria gestão protagoniza no combate à violência, se não há humildade para reflexão e revisão de políticas e estratégias, era de se esperar, pelo menos, respeito às vítimas da insegurança. Conviver com o medo e ainda ter que suportar o desdém de quem justamente deveria prover segurança chega a ser desumano", disse. "O desprezo pelo pavor alheio e pela dor de quem chora a perda de familiares para a violência que o estado não consegue combater, é uma das faces que jamais imaginei que iria aparecer. Mas, infelizmente ela está aí. Exposta nos discursos e nas ações, que, mesmo sendo alvo de milhões de reais, continuam sem dar os resultados que a população espera", arrematou. 
Por Magno Martins

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