O ex-ministro Mário Andreazza foi acusado injustamente de enriquecimento ilícito, mas morreu pobre



Coluna Fogo Cruzado

 Lula tem dito nos últimos meses que não existe hoje no Brasil “alma mais honesta” que a dele. Alude, claro, aos processos a que responde na Justiça por suposta corrupção passiva, lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. “Nem Moro, nem Dallagnol, nem a PF, tem mais honestidade do que eu tenho”, bradou o ex-presidente. Juízo de valor à parte, Lula confunde conceito com reputação. Conceito é como ele se vê (acima de qualquer suspeita) e reputação é como a sociedade o encara. Não basta ao ex-presidente bater no peito e dizer que é honesto. É preciso saber também se a sociedade o vê dessa forma. Do contrário, a honestidade passa a ser matéria para consumo próprio. Em seu favor, no entanto, lembre-se o caso do ex-ministro dos transportes, Mário Andreazza, assíduo frequentador das reuniões da Sudene durante o regime militar. Ele chegou a ser acusado de ter ligações não republicanas com empreiteiras mas quando morreu, em 1998, os amigos precisaram cotizar-se para bancar as despesas do seu funeral.

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