sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Prisão revogada não isenta Mantega

      Gabriel Garcia, direto de Brasília 
A revogação da prisão temporária de Guido Mantega, o mais longevo ministro da Fazenda (2006 a 2014), não o isenta de esclarecer a acusação de recebimento de R$ 5 milhões do empresário Eike Batista para pagar dívidas de campanha do PT em novembro de 2012. Alvo da 34ª fase da Operação Lava Jato, intitulada Arquivo X, Mantega foi liberado após decisão do juiz federal Sergio Moro.
"Observadas as restrições constitucionais quanto à inviolabilidade domiciliar, a prisão pode ser efetivada em qualquer lugar. Isso vem claramente estatuído no Código de Processo Penal", opinou o ministro Celso de Mello, decano do Supremo Tribunal Federal. Na avaliação do líder tucano no Senado, Paulo Bauer (SC), “a revogação não significa que as investigações estejam erradas ou que o que foi levantado até agora seja inconsistente”.
Não demorou a reação do PT. Em vez de explicar a denúncia, os petistas se apegaram ao momento da prisão, quando a mulher do ex-ministro se dirigia para uma cirurgia no Albert Einstein, em São Paulo. A Polícia Federal pretendia prendê-lo em sua residência, no bairro de Pinheiros (SP). Na casa, só estavam o filho, de 16 anos, e a empregada doméstica. Os agentes foram ao hospital, onde o ex-ministro se apresentou espontaneamente.
O cumprimento do mandado de prisão respeitou os devidos limites legais. Mas por que dar regalias para os crimes de “colarinho branco”? O cidadão comum, em situação semelhante, estaria preso. O medo de suas excelências decorre justamente do tratamento duro que recebem agora da Justiça. Com a Lava Jato, poderosos tornaram-se sócios de presídios, com frequência pouco antes vista na história do Brasil.
É preciso, sobretudo, esclarecer o esquema que roubou o cidadão brasileiro, que desviou recursos da educação e da saúde, e não entulhar a sujeira debaixo do tapete. Como lembrou o deputado Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), Mantega era “um dos articuladores da estratégia econômica do PT que quebrou o País e nos levou a crise atual”. De resto, saúde e paz à mulher do ex-ministro.

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