Eleição indireta pode ter PSDB e PMDB na mesma chapa


Da Folha de São Paulo

O avanço na costura para a sucessão de Michel Temer (PMDB), caso o presidente seja mesmo cassado como a classe política espera em julgamento no Tribunal Superior Eleitoral no próximo dia 6, passa hoje pela definição na composição da chapa.
PMDB e PSDB lideram esse processo nos bastidores. Por isso, os dois nomes que lideram a bolsa de apostas de candidatos para a eleição indireta prevista na Constituição, Nelson Jobim (PMDB) e Tasso Jereissati (PSDB), podem, ao fim do processo, serem presidente e vice do Brasil.
Hoje o nome de Jobim é mais forte porque ele tem interlocução com o PT e o PSDB. Ex-ministro da Defesa de Luiz Inácio Lula da Silva e de Dilma Rousseff, a quem desprezava, o peemedebista é visto como a melhor figura de autoridade para esse momento de crise. Teria apoio do PSDB, já que ele foi ministro da Justiça de Fernando Henrique Cardoso, e influência no STF (Supremo Tribunal Federal), corte que já presidiu e na qual tem aliados como Gilmar Mendes e Dias Toffoli.
Pesa contra ele o fato de ser sócio do BTG, banco investigado na Lava Jato, embora nada tenha surgido contra ele até aqui. O mesmo ocorre em relação às investigações da operação sobre a compra de submarinos franceses, maior negócio de sua gestão na Defesa, embora aqui a apuração ainda está incipiente e foi reforçada por um inquérito aberto na França.
Após a morte do criminalista Márcio Thomaz Bastos, em novembro de 2014, Jobim passou a trabalhar como consultor de grandes empreiteiras enroladas na Lava Jato. Informalmente, ele coordenava estratégia de defesa entre elas, até que cada uma decidiu seguir rumo próprio —acabaram no mesmo lugar, ao fim.
Já Tasso, homem do setor privado com três passagens pelo governo do Ceará, é visto com bons olhos pelo empresariado e tem boa interlocução no Congresso. O principal problema contra si é o fato de que o PT não aceita seu nome na cabeça da chapa, pois um eventual sucesso numa transição automaticamente o cacifaria para disputar a Presidência em 2018.
Não que o PT seja tão determinante, mas tudo o que o eventual governo tampão não precisa é de mais atritos internos no Parlamento. Há dúvidas também sobre seu poder de sedução junto ao baixo clero da Câmara, talvez de 60% a 70% dos 594 eleitores indiretos.
Outro fator imponderável é a saúde de Tasso, que é cardíaco e carrega pontes de safena. Segundo interlocutores, ele está bem, mas poderia aceitar um compromisso de não postular o cargo no ano que vem em nome da estabilidade política.
Assim, as negociações dos próximos dias poderão definir a ordem dos fatores na equação.
Outros nomes circulam, cada um com seus prós e contras. Henrique Meirelles (Fazenda) hoje é visto mais como peça indispensável para ficar no governo e transmitir confiabilidade aos mercados. Rodrigo Maia (presidente da Câmara) é cortejado pois terá influência no baixo clero, mas caciques não o querem candidato. Cármen Lúcia (Supremo) e FHC dizem não desejar a indicação.
O ex-presidente, aliás, é uma espécie de centro de gravidade das discussões do pós-Temer, ouvindo e sendo ouvido por todos os setores.

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