Grampo da PF mostra Aécio dando bronca em Perrella


Do Hoje Em Dia

Dois dias após a quebra do sigilo da delação da Odebrecht, em 13 de abril deste ano, a operação “Lava Jato” interceptou uma conversa telefônica entre o senador Aécio Neves, do PSDB, e o senador Zezé Perrella, do PMDB.
No diálogo, Aécio cobra fidelidade de Perrella e o critica duramente pelo fato de o aliado de longa data ter dado uma entrevista à rádio Itatiaia se gabando de não estar na lista de Janot e no “mar de lama” do Brasil.
Na conversa interceptada pela PF, que ocorreu bem antes da divulgação da delação da JBS, os senadores mineiros não falam de crimes. Mas Aécio evidencia seu aborrecimento com a declaração de Perrella à emissora, na qual ele se orgulha de estar fora da “Lava Jato”.
"Acho que não preciso provar o quanto sou seu amigo na vida, né cara. Então vou te falar como amigo, com a liberdade de amigo. Poucas vezes vi uma declaração tão escrota, Zezé, como essa que você deu na rádio Itatiaia", disse Aécio.
Nesse ponto da conversa, o tucano lembra como o ex-presidente do Cruzeiro chegou ao Senado. Primeiro suplente de Itamar Franco, Perrella conquistou a cadeira na Casa após a morte do ex-presidente, em 2011. A composição da chapa foi conduzida por Aécio.
“A pretexto de se defender, você jogou todo mundo na lama. A não ser, Zezé, que sua campanha foi financiada na lua, pela semente lá sua, pela quentinha do Alvimar. Nossa campanha foi a mesma Zezé", frisou o tucano.
“Numa hora dessa é hora de mostrar solidariedade, de separar o joio do trigo. Você nos igualou no campo do PT, dos picaretas todos”, continuou Aécio.
Perrella se mostra constrangido e cita o caso do helicóptero carregado de droga para justificar a entrevista à Itatiaia. Em 2013, a aeronave da família do senador foi flagrada com quase meia tonelada de pasta de cocaína. “Qual a maneira que eu encontrei de rebater… Essas coisas que eles falam de mim do helicóptero até hoje”, explicou Perrella.
Em um trecho mais adiante, Aécio diz a Perrella que ele também pode vir a ser citado no âmbito da operação da “Lava Jato”. "Olha onde você tá indo. Amanhã, Zezé, nada impede que alguém te cite por alguma razão, por sacanagem. E aí você virou bandido? Fiquei chateado como teu amigo meu irmão".
E volta a cobrar lealdade de Zezé. "Nós temos que enfrentar isso com firmeza. Se nós começarmos a separar, começar a achar que cada um que se safa sozinho, acabou meu amigo".
O grampo termina com a promessa de Perrella de conceder nova entrevista, dessa vez incluindo a defesa de Aécio. "Não fiz essa declaração na Itatiaia não, mas vou fazer… Não fica chateado não porque você sabe que te adoro", diz Perrella.
"Por isso que fiquei chateado porque te adoro também. Na hora que a gente tá levando porrada pra c.… se os amigos da gente", responde Aécio.
Perrella garante: "Olha, vou falar de você e Anastasia, que tenho certeza que vocês estão sendo injustiçados e tal. Pode ficar tranquilo faço isso no Senado e na própria Itatiaia", finalizou.
Histórico
No último dia 18, os senadores Aécio Neves e Zezé Perrella foram alvos da operação Patmos, desdobramento da “Lava Jato”. A empresa de Perrella, Tapera Participações e Empreendimentos Agropecuários, é suspeita de ser a destinatária de propina repassada a Aécio pelo delator Joesley Batista, dono da JBS.
Na época do diálogo entre os senadores mineiros, Aécio já era alvo de cinco inquéritos no STF, em decorrência das delações da Odebrecht.
Outro lado
Por meio da assessoria, Zezé Perrella disse que "a campanha mencionada em conversa com o senador Aécio era do senador Itamar Franco". "Eu era apenas suplente", afirmou.
A assessoria de Aécio Neves disse que tratam-se de conversas particulares, que não têm qualquer relação com o objeto da investigação. "Sendo de teor privado, não há o que comentar", disse.
A nota afirma ainda que "as campanhas do senador Aécio Neves, do senador Antonio Anastasia e do presidente Itamar Franco ao Senado, de quem o senador Zezé Perrella era suplente, foram feitas em absoluto respeito à legislação vigente".

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