terça-feira, 9 de maio de 2017

Marco Aurélio: episódio Gilmar x Janot é constrangedor


PGR pediu o afastamento do ministro da relatoria de um habeas corpus de Eike Batista alegando 'suspeição'; Marco Aurélio sugeriu que os dois 'fumem o cachimbo da paz'.
G1 Brasília - Por Renan Ramalho
O ministro Marco Aurélo Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou nesta terça-feira (9) que o episódio envolvendo o colega Gilmar Mendes e o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, é "constrangedor e ruim" para o Poder Judiciário.
A afirmação foi feita em referência ao fato de Janot ter pedido ao Supremo o afastamento de Gilmar Mendes da relatoria de um habeas corpus no qual concedeu liberdade ao empresário Eike Batista e a anulação de todos os atos assinados por Gilmar Mendes em relação ao processo, incluindo a decisão que mandou soltar o empresário.
No pedido, Janot argumentou que Gilmar Mendes não poderia atuar no caso porque a mulher do ministro, Guiomar Mendes, é sócia do escritório de advocacia de Sérgio Bermudes, que defende Eike Batista.
Ao ser questionado sobre o caso, Marco Aurélio respondeu: "É algo indesejável. Estou há 38 anos no Judiciário e nunca enfrentei uma exceção de suspeição, de impedimento de colega. É constrangedor e ruim para o Judiciário como um todo".
Durante a entrevista, concedida antes de uma solenidade no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Marco Aurélio sugeriu que Gilmar Mendes e Rodrigo Janot "fumem o cachimbo da paz".
“Já estava uma situação delicada quanto ao deslocamento do habeas corpus do [ex-ministro Antônio] Palocci. Agora então. Vamos ver. Que eles fumem o cachimbo da paz”, comentou o magistrado.

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